quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Lembrança de um dezembro

Numa daquelas tardes insuportáveis de tão quentes de dezembro, meu pai aproveitava seus quinze dias de férias. Acordava às 8h45 da manhã, apanhava o jornal à porta, sentava-se no sofá da sala de estar, apoiando os pés na mesinha de centro.

Como sempre, minha mãe adentrava a sala, dava um tapa em seu ombro e dizia que ele estava destruindo sua mesinha, para ir lavar as mãos e vir tomar o café. Ele ria. E sempre riria enquanto ela acreditasse que um dia ele deixaria de por os pés na mesinha.

Eu já teria acordado há um bom tempo. Teria. Aquele dia a coberta estava especialmente aconchegante, meu quarto fresco e a casa calma. Eu não queria sair, sabia o que iria acontecer se saísse.

Mas a porta se abriu, aquela faixa de luz entrou e bateu diretamente em meu rosto e não adiantou eu fingir, lá estava a minha mãe me sacudindo.

Já acordei, resmunguei. Aquele olhar de você está me enrolando pilantrinha estava estampado na cara de mamãe. Mas ela fez que acreditou e saiu. Mamãe sabia que eu tinha noção do que acontecera e que o pior poderia acontecer. É provável que isto tenha lhe motivado a não me arrancar o edredom, como fazia costumeiramente.

Ontem à tarde, meu labrador fugiu. Mamãe voltava do mercado e ao abrir o portão para entrar o ligeiro Bob passou. Ele sempre fugiu, gostava de ir aos terrenos baldios da região, revirar as latas de lixo da vizinhança.

Mas desta vez não. Eu estranhei quando papai voltou sem ele. Ele sempre achava o Bob, que corria muito, mas era muito bobo e por isso preza fácil para qualquer um que tentasse capturá-lo.

Mas aquele dia que tudo fingia estar onde deveria, aquela atuação de meus pais de um dia normal se desconstruiu no momento que o telefone tocou.

Meu pai estava à mesa, minha mãe à pia, eu entrava na cozinha ainda sonolento, esfregando aos olhos, cabelo bagunçado, movimentos lentos e meu pijama azul.

A face de meu pai ficou pálida. Ele sabia o que era aquela ligação. Minha mãe passou de cortar cenouras, concentrara seu ouvido na direção de papai.

Ele apanhou o telefone, murmurou para mostrar que ouvia o que a outra pessoa falava. Sua face foi ficando cada vez mais preocupada, franzia a testa, a mão cobria os olhos e enxugava o suor frio.

Faça o que tem que ser feito. Até hoje me lembro de sua voz trêmula dizendo palavra por palavra. É como se cada letra fosse um corte de espada.

Papai nunca me contou, naquele dia apenas me disse que Bob nunca mais voltaria. Mais tarde fiquei sabendo por amigos da vizinhança que ele fora atropelado e que meu pai o levara para uma clinica veterinária, onde não resistira e se fora de vez.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Pois é, natal.

Um velhinho de barba branca,
Presentes,
Árvore,
Pisca-pisca,
Criança correndo,
Ceia,
Todo mundo na mesa,
O resto no sofá,
Nada na tevê,
É só o natal.

Onde está o menino?
Nu, frágil e faminto?
Terá ele também algum presente?
Dormirá sem janta?
Com frio?
Com carinho?
Terá um abraço?
Terá um natal?

Mas o que o é?
O velho?
A barba branca?
O presente?
A ceia?
O dia?

A família?
Por que reunida está?
Qual o sentido?
Para quê?
Por quê?

Deixa eu fingir que é assim,
Deixa eu me enganar com essa felicidade dietética,
Com meu café sem cafeína,
Meu doce sem açúcar,
Meu natal sem natal,
De apenas presente,
Etc e tal,
Deixa eu fazer assim,
Esquecer o que é,
E fazer dele o meu superficial.


E pra você, um feliz natal.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Bolsa-estupro

Brasil está com essa “moda” de bolsas. Bolsa escola foi um projeto maravilhoso, creio que o Bolsa família tenha seus defeitos, porém o próximo é hilário.

Os deputados Henrique Afonso pelo PT do Acre e Jusmari Oliveira do PR baiano defendo o projeto do Bolsa-estupro.





“Se no futuro a mulher – estuprada – se casa e tem outros filhos, o filho do estupro costuma ser o preferido. As mães se apegam de modo especial aos filhos que lhe deram maior trabalho”

Eu sei, meu amigo leitor, isto é bizarro. Não sei em que os deputados se baseiam para dizer tal coisa, tampouco acho isto lógico. Então quer dizer que as mães amam mais os filhos problemáticos em relação aos obedientes?

Agora, em que isto justifica a destinação de verbas a serem dadas a essas mães? Porque amam mais um filho do que os outros?

Se o projeto tivesse o objetivo de apoiar, dar assistência às mulheres que foram vítimas de violência sexual, seria algo extremamente positivo. Porém, não parece nem de perto o objetivo.

Isto tem cara de politicagem, mas um cabresto criado para tentar garantir votos. Assistencialismo, no Brasil, parece não ter o objetivo de resolver os problemas sociais, mas sim um papel narcotizante.

São tantas bolsas que a corrupção vira só um detalhe. Todos são corruptos, mas este deputado/senador me deu o bolsa qualquer coisa, então ele fez alguma coisa por mim.

O Brasil já tem bolsa demais. O país precisa, hoje, de seriedade. Projetos relevantes e consciência por parte do legislativo que gasta muito, muito dinheiro que poderia ser empregado em áreas muito mais importantes que nossos queridos representantes e seus bolsos.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Como ler?

“Qualquer jornal, da primeira linha à última, não passa de um tecido de horrores. Guerras, crimes, roubos, impudicícias, torturas, crimes dos príncipes, crimes das nações, crimes dos particulares, uma embriaguez de atrocidade universal. E é com este repugnante aperitivo que o homem civilizado acompanha a sua refeição de todas as manhãs. Tudo, neste mundo, transpira o crime: o jornal, a muralha e o rosto do homem. Não compreendo que uma mão pura possa tocar num jornal sem uma convulsão de asco.”


Charles Baudelaire, in "Diário Íntimo"

Todos os dias, ao abrir o jornal ou ligar a tevê e sintonizar no noticiário disponho-me a ser bombardeado pelas mais diversas notícias.

São tragédias, factóides repetitivos, o mesmo enredo com personagens e cenários diferentes.

Quantos morreram hoje? Tráfico? Bala-perdida? Estupro? Atropelamento? Acidente aéreo? Passional? Em série? Qual vai ser a pedida de hoje?

E isto passa aos nossos olhos de forma habitual, comum, sem causar espanto, reação, revolta. Estamos anestesiados, inertes ao caos, apenas esperando a nossa vez de estampar o jornal.

Uma das coisas que mais me irrita é a técnica de anestesia que o Jornalismo utiliza. Mescla notícias pesadas com as “light”, para amenizar, não deixar o noticiário pesado, para que o “Homer Simpson” possa dormir feliz.

Primeiro o seqüestro, logo em seguida o futebol e boa noite.

“Mas sempre qualquer coisa nos ilude, sempre qualquer análise se nos embota, sempre a verdade, ainda que falsa, está além da outra esquina. E é isto que cansa mais que a vida, quando ela cansa, e que o conhecimento e meditação dela, que nunca deixam de cansar.”

Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Por que sou favorável a prorrogação da CPMF

CPMF é invenção Tucana, um imposto que taxa a movimentação bancária. Sua alíquota é de 0,38% de toda movimentação financeira realizada na federação.

O brasileiro paga muito imposto. João da Silva, personagem fictício que criei, recebe R$ 4.500,00 por mês, é funcionário de uma empresa privada, mora em um apartamento de R$ 70.000,00 e tem um Tempra 97, no valor de R$ 10.000,00.

Todo mês, João gasta R$ 600,00 com supermercado, R$ 350,00 com o condomínio, R$ 170,00 com energia elétrica e R$ 130,00 com telefonia.

Por ter dois filhos com sua atual esposa, João gasta R$ 450,00 com plano de saúde para ele e seus três dependentes. São mais R$ 970,00 com a mensalidade do colégio dos filhos. Ainda gasta R$ 150,00 com a perua escolar.

Com o seguro, se vai mais R$ 120,00 todo mês. Somado ao combustível, a manutenção do carro sai todo mês por R$ 270,00.

Gasta com vestuário, uma média de R$ 300,00 mensais. Além de gastos adicionais pessoais que se somam e dão R$ 800,00.

95,74% do valor que João recebe, exatamente R$ 4.308,40, são repassados em impostos para o governo. Isto, contando os encargos que a empresa que João trabalha tem que arcar e sem contar a CPMF.

Deveria ser o suficiente para que o governo tem a fazer. Concordo com isto, porém discordo que seja a CPMF o imposto cruel e implacável para com os brasileiros.

A CPMF taxa de forma proporcional a riqueza, não são valores fixos cobrados nos produtos, nem relativo ao bem. É um imposto que tira 0,38% do X que o rico patrão de João movimenta e 0,38% do Y do próprio João.

Se o patrão move 1.000.000,00, terá de pagar R$ 3.800,00 de CPMF. Já João, se movimentar seus R$ 100,00, pagará R$ 0,38. Quem mais paga é quem mais tem.

Sem dúvida o R$ 0,38 faz mais falta para João do que o R$ 3.800,00 faz para seu chefe, porém, o imposto é justo, pois ambos cederam a mesma coisa relativo ao que têm.

Muitos impostos poderiam ser descontados, diminuídos e até extintos, porém, a CPMF não. Além de não ser possível a sonegação, é um imposto que impacta diretamente na distribuição de renda, de forma igualitária e justa na cobrança. O que se deve discutir é a forma como este dinheiro é aplicado.

Neste ponto, entram a hipocrisia Petista, Tucana e do Democratas, antigo PFL. Petistas eram contrários ao imposto quando foi criado em 1993 de forma provisória para aumentar os recursos do governo para o ano de 1994.

O imposto sofreu uma série de mudanças, tornou-se o que hoje nós conhecemos e tem, de forma teórica, a intenção de levantar recursos para saúde e combate e erradicação da pobreza.

PT admitiu que é impossível governar o país sem a CPMF. O PSDB, pai da criança, acha que o imposto do cheque não é essencial hoje e que o PT gasta de mais.

O PT gasta muito, verdade.

Governar sem a CPMF é impossível, também é verdade.

Porém, não se coloca em pauta a principal questão sobre este imposto – a justiça. Por ser um imposto proporcional, é o mais adequado para a realização da distribuição de renda e para a taxação pública.

Quem teme a CPMF é quem sonega imposto, quem não gosta de pagar os R$ 3.800,00. E é exatamente este povo que o Democratas defende, é desta classe social que os interesses se assemelham aos democratas.

Aqueles que acham que o Brasil tem estrutura para viver num liberalismo econômico onde os impostos são mínimos e o Estado praticamente não participa da sociedade de forma incisiva.

O brasileiro paga muito imposto, mas nem sabe qual é o imposto que paga. CPMF é clara, direta, objetiva, transparente. Agora, imposto em alimentos, automóveis, imóveis, bens de consumo em geral, pouco se sabe quais e quantos são. Pagamos muito e atacam o cara errado.

Esta guerra não passa de politicagem, uma politicagem que não levará a lugar algum. Aprovar ou não a CPMF é apenas uma queda-de-braço, uma birra entre crianças mimadas que nem se importam com o objeto em questão. São todos uns hipócritas, incapazes de enxergar a realidade da questão.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Humanização

Eu já gostava de Cristovam Buarque, senador pelo PDT. Agora, gosto ainda mais.

Seu projeto, de que os filhos de políticos eleitos tenham que ter sua formação em colégio públicos durante os mandados dos pais, é fantástico.

Não vejo pelo aspecto de que vá trazer alguma melhora às escolas públicas por isto. Mas por ser um tapa na clara na “classe” política. Filho de político algum estuda em colégio ruim, nem médio. São os melhores, os mais caros.

Mais do que obrigar ao nosso representante a pensar na qualidade do ensino, este projeto forçaria o contato da família do representante com a população.

Os filhos dos políticos estudariam com os filhos dos eleitores, seriam colegas, conviveriam, partilhariam da mesma realidade. Os responsáveis freqüentariam as mesmas reuniões de pais e mestres e teriam as mesmas preocupações para com a representatividade que esta unidade de ensino teria para com a comunidade.

Esta medida obrigaria aos representantes a partilharem da realidade dos seus eleitores, coisa que neste país é das mais raras.

O senador tem uma gama de projetos que influem diretamente na qualidade de ensino. Porém este, em especial, implica diretamente em questões éticas e morais. Esta ação tiraria a classe política do pedestal de Brasília e humanizaria um pouco mais este antro de perdição que é o congresso.

Já vi o argumento que este projeto é antidemocrático, por não permitir a livre escolha de onde alguém irá matricular seu filho, além de vários mecanismos que os políticos têm para burlar o sistema.

Antidemocrático, creio eu, ser a realidade política brasileira, onde ricos vivem de uma realidade, população de outra e os políticos – em sua maioria, não totalidade – assistem a tudo rindo.

Burlar o sistema, os políticos sempre burlaram e nem por isso o sistema deixa de existir, o que deve ser feito é um aperfeiçoamento do sistema, uma ação mais coerente e honesta por parte dos media e a punição exemplar daqueles que transgredirem as regras do jogo.

Não se pode excluir algo pela mera possibilidade de existir alguma corrupção. Só porque pode haver problemas não quer dizer que algo não deve acontecer ou existir. Pensar diferente disto é render-se ao medo, é tornar problemas maiores que as causas pelas quais lutar. Nem que esta luta seja de um Dom Quixote frente a moinhos de vento.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Saudades

Há gente que faz falta, muita falta. Gente que nem conheci, nunca nem troquei uma sequer palavra. Gente que enquanto estava viva eu nem me tocava de sua importância e talento.

Cássia Eller é um exemplo. Hoje me peguei pensando nas músicas do seu Acústico Mtv. Um primor.

Cássia era dona de uma timidez inesperada, de um talento surpreendente e de uma pureza de caráter que levou Nando Reis a paixão.

No dia 29 ela completará 6 longos anos de ausência. Uma ausência sem volta, uma ausência forte e sentida. Não há talentos aparentes na música brasileira que tenham a mesma expressão de Cássia.

Apesar de alguns interpretes que surgem, Cássia era única. Única como foi Cazuza, Renato Russo. Apesar de não compor, era dona de musicalidade ímpar.

Saudades. Seis anos de saudades. Fica aqui um video, para matar um pouco dessa saudade.

sábado, 24 de novembro de 2007

Constatação

Igor Felipe Perreira de Albuquerque, morava em Maceió, era um jovem como qualquer outro. Tinha sonhos, fazia planos, tinha sua vida, vivia sem pensar no futuro tão distante.

Porém, num momento de distração, foi abordado por um assaltante, reagiu, tentou fugir e foi baleado.

O tiro atingiu o crânio, levando-o ao falecimento instantâneo. Era um jovem de 21 anos que teve de seu corpo esvaziada a vida que o enchia por completo.

Esta notícia dificilmente terá visibilidade fora do local do acontecimento.

Em São Paulo isto seria olhado com desdém tremendo. Apenas mais um morto, após um assalto.

Coisa rotineira, morre gente todo dia, morte violenta, acidente, premeditado, culposo, doloso, doença, acaso, lugar errado, hora errada.

A maioria não é considerada merecedora de uma mísera frase no jornal. Muitos morrem, passam, se vão e nem vemos quem foi, quem era, o por que foi.

O triste é, as pessoas passam, morrem, muitas e nós nem conseguimos sentir a falta, a perda, a ida. O triste é morrer e nem ter uma lágrima caída. O triste é estar anestesiado frente a perda de uma vida.

domingo, 11 de novembro de 2007

Fechado para Balanço

Voltamos a nossa programação normal no feriado!

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Uma verdade inconveniente

“Os fatos desmentem Veja. A história dela a desmente. A imparcialidade não é uma marca da revista, nem do jornalismo.” (JOSÉ, Emiliano. Imprensa e Poder, p.91)

Pertinente pra cacete! =P

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Onde estão as rédeas?

Hélio Lopes, reside no Rio de Janeiro. Sua carta à revista Época foi considerada a melhor da semana.

“Dou meu apoio ao governador Sérgio Cabral. Se o controle de natalidade pregado décadas atrás por Roberto Campos tivesse sido feito, hoje teríamos milhões de miseráveis a menos”

Hélio é mais um preguiçoso que culpa o povo pelos problemas. No pensamento dele, o problema são as pessoas, pessoas desnecessárias. O problema é gente.

Realmente, o problema é gente. Gente fascista, com um pensamento discriminatório, autoritário, criminoso. O problema é gente como este sr. Lopes.

No dia que as pessoas mirarem nas causas e não nas conseqüências num momento de enfrentar uma dificuldade, um problema, teremos alguma possibilidade de solução.

Mas enquanto houver Sérgios Cabral, Hélios Lopes e Reinaldos Azevedo, continuaremos a ser um país de carroças à frente dos bois...

domingo, 4 de novembro de 2007

E o aborto?

Tema polêmico, batido, cansativo, porém atual. Não apenas por ser o furdúncio do momento, nem por ter sido a merda do ventilador do atual governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, mas por ser algo apontado como solução.

Alguns movimentos feministas dizem que a ilegalidade, a proibição são uma forma de cerceamento, limitação de liberdade da mulher para com seu próprio por corpo.

Outros vêem o aborto como uma forma imediata de conter o inchaço populacional nas aéreas com menor desenvolvimento urbano, onde há pobreza e violência.

Como já debatido em um texto mais antigo, o aborto não é a solução para nenhum de nossos problemas, ele apenas combate a conseqüência, não age diretamente na causa.

Pessoalmente, considero a legalização completa do aborto uma idéia tão violenta e criminosa quanto à de esterilização em massa.

Que liberdade é esta onde não se preserva o direito de existir? Alguém só seria um individuo após sair do ventre? Feto é apenas um bolo de células na barriga de uma mulher?

Outro dia fui perguntado em quais casos achava aceitável o aborto. Disse que apenas em casos onde não haveria possibilidade de vida para o feto, que se colocasse em risco a vida da gestante e de estupro.

Foi-me colocado por pelo colega que não haveria diferença entre uma criança que nasce num lar desestruturado, numa família paupérrima onde não terá oportunidade e uma criança que nasça de um estupro.

Creio serem situações completamente diferentes. Alguém não irá ter valores, não poderá ser um bom cidadão só porque nasce em condições adversas? Então o individuo é apenas fruto do meio? Então, a ausência de possibilidades momentâneas da mãe justifica a morte dessa criança? Então, porque não matam também as crianças de rua, mendigos?

Por que não jogam uma bomba atômica na favela? Afinal, quem está lá não tem condições de vida, então você os mata para resolver o problema...

Creio que a tênue linha que destrói qualquer possibilidade de comparação – comparação que eu achei absurda – entre quem nasce em baixas condições sócio-econômicas a quem nasça de uma violência sexual. A mãe, no primeiro caso, teve a escolha.

A mãe pode superar o trauma, ter e criar o filho. Pode até ser uma boa mãe, mas apenas com forte apoio da sociedade. Mas é muito querer que uma mulher faça isto. É muito querer que uma mulher acorde todos os dias de sua vida e olhe para seu filho, fruto de uma violência que sofreu. Será um déjà vu diário.

Não é uma questão de se é o corpo da mãe, se a criança terá condições de ser um individuo sociável ou não, mas se a mãe teve a oportunidade de escolher ter a relação sexual ou não. Decidir fazê-lo é estar aberto as possibilidades que esta ato pode implicar.

Querer abortar uma criança tendo feito a escolha de ter a relação sexual é querer fugir das conseqüências de seus atos. É querer que outra pessoa pague pelos seus atos. É limpar suas mãos sujas por ter feito a escolha no momento errado com o sangue inocente. Sangue de seu próprio filho.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Superação

Na quarta-feira, dia 31 de outubro, o São Paulo Futebol Clube se sagrou cinco vezes campeão brasileiro. Penta, na língua do torcedor comum que pouco se importa com as regras do idioma.

Um Morumbi lotado coroou a campanha de uma equipe regular, com uma defesa segura, jogadores versáteis no meio-campo, um ataque que se superou.

Mas antes do início desta partida que culminou na definição do título Tricolor, a torcida do São Paulo proporcionou um momento mágico.

“Ole, ole, ole, ole, Telê, Telê!”


Um canto em homenagem ao mestre que deu ao São Paulo seus primordiais contornos de maior importância.

Logo após, entoou-se o nome de Muricy Ramalho. O técnico foi saudado pela torcida, como de costume, mas desta vez houve esse tempero de tê-lo sido logo após cantarem o nome do Mestre.

Muricy Ramalho começa a escrever seu nome na história do São Paulo, com um Bi-campeonato Brasileiro. O técnico sabe que no ano que vem sofrerá uma cobrança muito grande, sabe que o torcedor esperará no mínimo a disputa do título da Libertadores. “O torcedor do São Paulo é exigente” diz o técnico.

Muricy se superou. Assumiu o São Paulo, pela primeira vez, por causa dos problemas de saúde de Telê Santana, mas – segundo o próprio Muricy – não estava pronto para isto.

Muricy rodou o mundo, treinou uma série de clubes brasileiros – Internacional, Náutico, São Caetano, Portuguesa Santista –, e só voltou ao São Paulo quando se achava apto para voltar a sua terra e ser vencedor.

Esse título, mais que coroar um clube organizado no meio de amadores, coroa um profissional que se doa de corpo e alma em sua profissão. Alguém que se focou em estar onde está.

Então, nesta noite de comemoração, meu parabéns, antes de qualquer outro, vai para este cidadão de sobrenome Ramalho.



segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Eu não tenho culpa!




Queridas amigas, eu não tenho nada a ver com isso! Não pratico tráfico de gente, nem negocio mulheres. Mas caso tenha alguém interessado, favor clicar no link! =P

domingo, 28 de outubro de 2007

Ventos de Somália


Somália é um país pobre. Pobre até em relações a outras nações africanas. No colégio, ensinam que os países africanos foram divididos por fronteiras que não respeitavam àqueles que habitavam as localidades, etnias e culturas foram irrelevantes diante dos interesses comerciais do neocolonialismo.

Este país localizado no “chifre” da África é um grande exemplo disto. É uma nação fragmentada em diversas tribos, onde o governo eleito com ajuda de Etiópia não é considerado legítimos pelos chefes de tribos – que são muitas –, o que facilitou a pulverização nacional.

Porém, a capital Mongadíscio, também cidade mais populosa do país, continua sendo o palco da barbárie da guerra étnica e religiosa. Há um confronto claro entre as forças mulçumanas e o governo. No meio deste caos, crianças.

Crianças que protestaram, se manifestaram, fizeram uma passeata. Seis pessoas morreram sábado, numa ofensiva das tropas da Etiópia que interferem nos conflitos desde que a ONU abandonou o posto há 12 anos.

O mais importante é ver que há uma busca de paz, mesmo neste caos que leva tanta gente à miséria, é bom ver que há uma luta pacífica por paz e de uma nova geração. Eram crianças protestando.

Mesmo que seja difícil ver uma notícia, uma nota sobre algo da África. É bom ver que entre tanta desgraça que do continente do descaso ainda vem uma brisa de esperança.

É mais do que um exemplo para esse Brasil, hoje apático, conformista. Resignar-se? Não! Mesmo frente ao mais absurdo deve haver esperança. Senão o cabresto estará colocado e nada mudará, nos jornais serão sempre as mesmas notícias, sem poder nem ao menos brotar uma mínima brisa de alegria, esperança e paz.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Tapando o sol com a peneira.

Sérgio Cabral Filho, governador do estado do Rio de Janeiro, realizou declarações polêmicas.

“Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal. O Estado não dá conta. Não tem oferta da rede pública para que essas meninas possam interromper a gravidez”.

O pensamento de Cabral é simples, você mata o marginal antes que ele nasça. Acontece que nem todo favelado é bandido, traficante, assassino, mau-caráter. Então, além de matar o “criminoso” antes que tenha sido concebido, ele elimina uma gama de pessoas inocentes.

Cabral reconhece ineficiência do Estado. Mas apenas sobre não conseguir arcar com os custos dos abortos. Não sei se passou pela cabeça do governador algo sobre arcar com os custos de um sistema de educação de qualidade, em investir no ensino de base das escolas estaduais do Rio, para que essas crianças que ele propõe matar não sejam marginais caso venham a nascer – marginais no sentido de estar à margem, fora da sociedade.

Temos um grave problema de segurança pública e não é com capitães Nascimento ou aborto que isto terá alguma resolução. A solução é educação. O caos que vivemos é reflexo de um país desigual, onde a maioria não tem oportunidade aos direitos básicos de nossa constituição, nem que seja à moda neoliberal onde se paga pelo que deveria ser público.

Com um ensino de qualidade, as meninas do Morro da Providência poderiam desenvolver a consciência que a mulher da Tijuca tem - de ter uma carreira, menos filhos e não tão cedo. Mas isto só se desenvolve quando se tem uma perspectiva de vida.

E uma perspectiva para estas mães é o que menos parece interessar ao Governador do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Bate-papo sobre blogs e literatura

Marcelino Freire, escritor Pernambucano, vencedor do prêmio Jabuti, em 2006, na categoria contos e crônicas, me cedeu alguns minutos de seu tempo numa breve entrevista.

O escritor estava no Mackenzie para a II Semana de Comunicação e Letras. Em uma palestra falou sobre blogs, sua influência no meio jornalístico e no literário.

E é exatamente este o tema de nossa conversa que você pode escutar logo a baixo.


quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Mais uma lágrima

Márcia tem 10 anos, mora em Maringá, Paraná. Tem a pele parda, fios de cabelos finos e negros, olhos escuros, um sorriso de criança. Seu corpo é magro, fino, uma tábua, como de qualquer guria que ainda desfruta da infância.

Acredita em Deus, junto com seus pais freqüenta uma igreja evangélica, a Assembléia de Deus.

Não era rica, pelo contrário, fazia parte de 90% da população brasileira que não tem acesso a uma série de recursos e confortos de nossa sociedade moderna. Mas não precisava disto para ser feliz.

Era conhecida por ser uma criança alegre, cheia de vitalidade como suas demais colegas, mas tinha como marca registrada sua simplicidade.

Mas em um culto realizado no dia 20, último Sábado, Márcia desapareceu. Houve uma agitação na comunidade cercado por um ar de inconformismo, há uma câmera de segurança na entrada da igreja, mas sem arquivamento das imagens.

Márcia disse a outras crianças que iria buscar um bolo com um “amigo”.

O corpo, encontrado dia 21 em um canavial continha traços de tortura – estrangulamento – e abuso sexual.

Levantaram-se questões quanto à segurança para crianças nas igrejas, se ficam soltas, se há algum controle. A verdade é que nunca houve necessidade de um controle, crianças são crianças e brincavam quando não há atividades específicas. Agora, tivemos o segundo susto.

No primeiro semestre, sofremos também com a morte de uma criança na IASD, onde o assassino, em seu lapso de insanidade, largou o bebê no tanque batismal – a criança morreu afogada, segundo laudo médico que constatou relativa presença de água nos pulmões.

Mas o que mais choca neste acontecimento que passados três dias, oitos suspeitos apontados publicamente são membros da congregação, dentre eles um pastor. Apesar de um outro suspeito ter sido detido, um homem de 34 anos com várias passagens na polícia, uma questão fica no ar. Como confiar na pessoa ao lado numa época onde não se há o respeito, onde um desejo momentâneo vale mais que uma vida!?

É horrível pensar que alguém com quem você convive a certa constância, confia, crê ser de boa índole vá cometer algo tão absurdo como torturar, violentar e assassinar sua filha. E isto não é por ser membro da mesma igreja. Poderia ser um parente, amigo, vizinho.

O que mais assusta é a falta de pudor.

Apenas um impulso foi o suficiente para tirar a vida de uma garota de dez anos, pobre, cheia de alegria e esperança, repleta de fé. Apenas um impulso e embriaguez foram suficientes para adentrar uma igreja ao lado de seu trabalho – uma construção – e assassinar uma criança pequena.

A cada dia cai mais uma lágrima pelas perdas causadas pelas nossas próprias imperfeições morais. Imperfeições que não somos capazes de lidar; que nos agridem levando de uma só vez a pureza e juventude de nossas pequenas garotas.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Minha presunção

Em um artigo na Folha de São Paulo, Carlos Heitor Cony deixa a fidelidade partidária como algo menor, que não se enquadraria nos modelos políticos brasileiros, tampouco seria solução para a política nacional.

"No Brasil, deve ser mínima a faixa dos que votam num determinado partido. Alguma coisa na base do 0,2% do eleitorado. O resto vota em candidatos".

Realmente, o eleitor pensa votar em um candidato. Porém, pela lei eleitoral, ele vota na coligação. Isto fica evidente quando um candidato recebe um número de votos que é muito maior do que o necessário para se eleger e acaba por levar consigo uma série de outros candidatos da coligação.

Cony também faz uma leitura clara da realidade, "nenhum eleitor pensa nos programas partidários, que uns pelos outros pregam a mesma coisa". Esta cultura não foi desenvolvida no Brasil, o eleitor nem ao menos se preocupa com o plano de governo, vide a última eleição.

Os dois candidatos que foram ao segundo turno das eleições presidenciais só apresentaram seus "planos de governo" vinte dias antes do segundo pleito. O único candidato que possuía um projeto de governo antes do período eleitoral se iniciar era Cristovam Buarque.

Então, meus caros, começa a minha presunção. Para Cony, a fidelidade partidária seria essencial a democracia.

"Com dois partidos apenas, um conservador outro liberal, acredito que os candidatos melhor se arrumariam no tabuleiro e, aí sim, a fidelidade partidária seria indispensável ao funcionamento da democracia".

Discordo de Cony. O Brasil ainda não tem uma história democrática. De real democracia, tivemos dez anos após a ditadura Vargas e mal completamos dezoito anos deste período democrático. Ainda não se desenvolveu uma cultura política no Brasil, é muito cedo para querer que os eleitores sejam conscientes, avaliem os partidos e o sistema político.

Ainda há resquícios da cultura política ditatorial, ainda há cabresto, ainda não nos livramos totalmente do ranço dos coronéis, tampouco consolidamos o sistema democrático composto pela constituinte.

Por mais que a maioria dos partidos seja de corpos vazios, sem ideologia, o Brasil como um todo não o é. Seria terrível se ver preso a temível realidade bipartidária. Consolidar-se-ia a axiologia maniqueísta que foi muito forte nesses primeiros anos de democracia.

Construiu-se uma idéia de oposição entre PT e PSDB. Que os partidos se coloquem em contrariedade, tudo bem, mas me assusta por muito a idéia de que estes poderiam ser os únicos dois partidos a se votar, as únicas alternativas a se escolher.

No primeiro turno da última eleição, tive um consolo de consciência política de poder votar em um candidato que eu tinha certeza que não venceria a eleição, mas que era a melhor opção para o meu país. É assustador só de pensar que as únicas duas opções numa eleição presidencial pudessem ser apenas Lula e Alckmin. O que Carlos Heitor Cony propõe, para mim, não é uma solução para nossa democracia, mas a morte desta.

Não seria um retrocesso político? Voltar às "eleições do cacete"?

Deve-se inserir na cabeça do eleitor o ideal de que não se vota numa marca, num produto publicitário – pois é o que nossos candidatos hoje são – mas em uma idéia, num projeto de país. Só então, os partidos desenvolveram ideologias, reais projetos de país para substituir siglas que não passam de letras escolhidas para facilitar no informa publicitário.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Playboyzinhos e maloqueiros.


No dia primeiro deste mês, Luciano Huck fez um “desabafo” na Folha de São Paulo sobre o assalto que havia sofrido, onde levaram seu rolex.

Não é o assunto mais importante do dia, tampouco extraordinário, mas um assaltado na megalópole São Paulo.

Porém, este ocorreu na região dos Jardins, com alguém “notório”. Foi o suficiente para a mais nova guerra no painel do leitor da Folha. Há três dias esta matéria tem repercutido mais do que o resto das matérias da edição juntas.

Aqueles que criticam a atitude de Huck por “choramingar” o rolex roubado, de ter o gélido 38 encostado a cabeça e somente após tudo isso levantar um grito por segurança, são os que mais apareceram.

Estes foram taxados de petistas, como se achar que a atitude de uma celebridade que até ontem não ligava para o fato de a população estar à mercê da violência.

Eles têm razão, pois é real, Huck continua sem se importar, assim como seus iguais, os moradores da região dos Jardins, a elite deste país, o pessoal do cansei; todo esse povo não se importa, na realidade, com nada. É que “a água bateu na bunda”.

Quando a violência chegou aos jardins, quando levaram o seu rolex, quando você sentiu o que é ser assaltado, é ai que você se toca na coisa terrível que é sofrer violência. Neste momento a alta casta vai se preocupar com a violência. Mas só enquanto a periferia não saltar de volta para a escuridão de onde veio.

Luciano não tem culpa de ter nascido “abençoado” com oportunidade e possuir bens materiais, ter uma excelente condição social. Não enriqueceu por meios ilícitos. A sua culpa é a falta de conhecimento da realidade em que vive, de ficar enfurnado em um cenário de sombra e água de coco, quando o mundo aqui fora é caótico.

Outro erro cruel foi criticar o governo federal, mais especificamente o presidente a república, por uma responsabilidade que é do governo estadual. Segurança pública é de responsabilidade do estado, então, o alvo da “revolta” do apresentador global deveria ser o governador José Serra.

A periferia emerge frente aos nossos olhos, ela se manifesta, pulsa, vive, por mais que a ignoremos, pensamos que não passa de algo escondido na sombra de nossa construção social, mas a realidade é que eles desenvolveram um segundo sistema que entra em conflito direto com o nosso. E o pior, eles ficam cada vez mais fortes.

Desenvolveram uma cultura, um linguajar, formas, jeitos, normas que invadem as nossas e quando entram em conflito com nosso sistema, geram o caos.

Pichação; gírias; músicas; vestuário; violência; uma esmola, por favor. Eles nos cercam por todos os lados, eclodem dos bueiros, nas paredes, no trânsito, num almoço, num passeio, na volta ao trabalho, no dia-a-dia, numa tragédia, numa exposição de arte. Todos os dias recebemos o mesmo recado de diferentes formas, só que não percebemos. Huck não percebeu.

Não lhe demos voz, eles encontraram outra forma de se expressar. O ser humano se adapta as diferentes situações e condições que é exposto, condicionado. O cego aprimora seus outros sentidos para que possa se orientar. O mudo desenvolve sinais e aprende aos lábios interpretar. O marginalizado faz o caos para se mostrar.

É assim que é a vida, a miséria grita, só falta eu e você escutarmos. Falta, também, um pouco de vergonha na cara de quem tem influência e poder neste país para que as soluções não se limitem à região dos jardins.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Puta mundo injusto, meo!

Se a vida é um bacanal, alguns têm o orkut com um cardápio, é só escolher e comer. Enquanto outros são como cachorros frente ao forno que assa frango na padaria, só olham... Comer que é bom, se a lata de lixo virar, as migalhas!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

O desafio

Sinto em ter que admitir, mas hoje enfrento o maior desafio que já vivenciei. Maior que o vestibular, passar em peneira de futebol, dar o primeiro beijo sendo o cara mais feio do seu colégio, ganhar na loteria.

Sim, meus caros, deparo-me com o maior desafio do homem moderno, encontrar fones de ouvido descentes.

No último mês já gastei praticamente 80 reais com variados tipos de fones. Desde que o finado bom fone que tinha adquirido junto com o meu MP3 começara a falhar no ouvido direito, eu havia migrado para o rádio do meu celular. Mas como o meu irmão fez o favor de rasgar os fones do celular no meio...

Comprei um MP4. O fone do durou 75 dias, tempo demais para qualquer produto coreano. Então, ingressei numa sina maldita, a busca por um fone de ouvido com som de qualidade e durável.

A primeira opção foi um que se adaptava a diferentes aparelhos de som, tinha dois encaixes diferentes, o que causava uma enorme perda de qualidade, vezes ficando sem som algum.

Então, comprei um de cinco reais, bonitinho, daqueles que se colocam envolta da orelha. O som era uma bosta. Durou três dias.

Então, resolvi comprar um bom. Compre um Philips de 22 reais. Triste ilusão, com um dia de uso, o ouvido direito não funciona mais. O som era bom, ao menos. ¬¬

Qualquer sugestão barata e de bom som será aceita.

Procura-se fone discreto, que não dê visibilidade a possíveis meliantes da estação república...

Paga-se mal, mas fica-se muito agradecido.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Felicidade, Nisin Miojo, Instantanea

É muito legal você encontrar pessoas que, como você, não têm o menor senso de direção, não conseguem dobrar a esquena sem ir parar no Paraguai, quando queriam apenas ir à padaria.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Tragédia pré-anunciada

Dezoito dias depois de passar por uma reforma, a pista principal de congonhas é apontada como pivô do mais novo maior acidente da história da aviação brasileira.

Depois de tanto transtorno, de juristas paulistas reclamando que teriam seus vôos transferidos para Guarulhos, muito longe do centro da cidade, vemos que o pequeno caos aéreo que atormentou a camada média/alta da população brasileira não foi nada.

Ontem, cerca de duzentas pessoas perderam a vida. Sem uma causa real, tangível de forma instantânea como o Acidente do Fokker 100 da TAM e o Boeing 737-800 da Gol. As incertezas que cercam este acidente são mais numerosas e maiores.

Alguns culpam a chuva e a pista. Porém não havia volume de chuva suficiente para causar este acidente ontem, havia menos de três milímetros de água na pista, marca abaixo do limite recomendado.

A pista principal ainda passava por uma reforma "noturna". Durante a noite, continuava-se o projeto que havia paralisado a pista durante quarenta e cinco dias. A reformulação e implantação de groovings (ranhuras que escoam a água e aumentam o atrito do avião com a pista).

O avião havia iniciado o pouso normal, havia tocado o chão antes da marca de mil pés, como um pouso normal. Mas algo fez com que acelerasse e ai está contida a grande dúvida, o avião acelerou por ação humana, seja na intenção de abortar o pouso e decolar, ou por falha humana? Teria acontecido alguma falha mecânica?

A TAM diz, em seu pronunciamento oficial, que a aeronave estava em perfeitas condições de vôo, não havia sido constatada nenhuma irregularidade.

Neste momento fica a grande questão de o quão válido é manter o aeroporto de Congonhas.

A realidade é que este aeroporto é um emaranhado de tragédias pré-anunciadas. Há outra série de fatores que tornaram este acidente o de maiores proporções da atual história tupiniquim.

O fato de o aeroporto estar localizado numa área de grande densidade demográfica, de haver prédios e grande fluxo nas avenidas Washington Luis e dos Bandeirantes. Isso pode aumentar o número de vítimas e potencializar as conseqüências de qualquer incidente.

Cercado de prédios, qualquer falha pode se tornar fatalidade. Os prédios se tornam pinos de boliche que podem ser atingidos de forma aleatória por uma bola recheada de combustível. O incidente com o Fokker já nos mostrou isso.

A pista curta pode ser responsável pela fatalidade, pois caso a pista fosse maior como a de Cumbica, que tem um pouco mais de três quilômetros e meio, poderia perfeitamente apenas vazar um pouco da pista, por causa da alta velocidade, mas sem maior desastre além de um pouso complicado.

Congonhas tem que perder fluxo, isto é fato. São Paulo precisa de outro aeroporto, longe de zonas urbanas, moderno e seguro, onde não seja colocada em risco a vida de tripulação, passageiros e de pessoas que venham estar próximas ao aeroporto.

sábado, 30 de junho de 2007

Medo

Tenho que acrescentar uma lapso repentino que me houve.

Tenho um pânico tremendo da seleção brasileira de futebol. Nunca vi um futebol tão sofrível. E o engraçado que a CBF só contrata algum dos sete anões.

Primeiro foi o Zangado - Felipão
Depois o Soneca - Parreira
Agora o Dunga - Dunga

O Zangado não volta. Nem o mestre (Tele). Desse jeito, a seleção será para mim apenas isto, desgosto.

Se bem que a seleção vai de mau a pior. Pelo menos o Josué e o Alex Silva voltam ao São Paulo mais cedo...

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Caos aéreo tem solução.

Sim, meus amigos, nosso caos aéreo terá solução.

Nossa ministra do Turismo, Martaxa, encontrou uma via para resolver o grande problema que enfrentamos com a nossa insuficiente estrutura:

Martaxa criou mais um companhia aérea para aumentar a oferta de vôos. A VAREG, Viação Aérea Relaxe E Goze.

Não é lindo?

Brasil, um país de todos!

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Pichação


No ano passado, a prefeitura de São Paulo conseguiu aprovar na câmara de vereadores um dos projetos mais polêmicos dos últimos tempos.

Tendo como idealizador a figura do prefeito Gilberto Kassab, a lei cidade limpa gerou posições divergentes dos mais diversos caracteres da população paulistana.


A idéia do prefeito era tirar o excesso de publicidade que encobria a arquitetura da cidade. Mas para tal foi radical, batendo de frente com grandes instituições e proprietários de outdoors pela capital paulista

A legislação em vigor até a aprovação da nova lei era desrespeitada, fruto de uma fiscalização precária, num cenário onde fazer uma publicidade “ilegal” era mais lucrativo a fazê-la dentro da lei.

Apertou-se o cerco com uma fiscalização rigorosa e multas pesadas, muitos luminosos, outdoors e placas passaram a desaparecer de nossa visão.


É certo que isso é bom para algumas regiões da cidade, como o centro. Mas o que acontece nas zonas periféricas é o surgimento da marginalização arquitetônica e a depredação do espaço público e do privado.

Ao final, para o cidadão simples, a lei cidade limpa só serviu para mostrar o quão suja a cidade está. Pichada, por todos os cantos, de todas as formas, insultando-nos, agredindo nossa ordem, nossa arquitetada perfeição com seus traços intangíveis e indecifráveis. Mas no fim, agora é tudo apenas pichação.

A lei cidade limpa serve para vermos o quando imunda está a república, com a falta de apego e senso coletivo que esta sociedade reserva a si mesma. Mais do que qualquer coisa, essa lei serviu como tapa na cara. Agora o que somos está exposto aos nossos olhos, mesmo que continuemos a ignorar.

De Pichações

quinta-feira, 31 de maio de 2007

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Lições para a posterioridade I

história baseada em fatos reais... =P

Era um dia como outro qualquer, num vale como tantos outros vales, onde havia um belo rebanho de belas e suculentas ovelhas repletas de sedosa lã.

Dois famintos lobos vagavam pelos morros que cercavam aquele vale, um velho, pêlos já mais acinzentados pelo tempo e outro jovem, cabeçudo e impetuoso.

Então, com seus olhos ainda púberes, avistou logo as ovelhas, adiantou a primeira pata e já disparava dizendo, Veja lá, quantas gostosas ovelhas! Vamos logo lá pra baixo, vamos abocanhar uma para nós!

Mas antes que o ‘esperto’ jovem lobo corresse como uma gazela e desse bandeira, o mais experiente o segurou pelo cangote.

- Mas o que foi, o que há? O.o

- Calma, rapaz!

- Cê é bobo? Olha quantas ovelhas lá em baixo! Vamos correr e pegar uma!

- Não.

- Como não? Eu tô na febre pra comer um ovelha e você me vem com esse não!?

- É. Não.

- Como não?

- É não, acabou. A gente vai descer andando, devagar, sem fazer alarde, furtivamente e comer todas.

- Malandroooooo!


É... Meus caros, lições da vida!

Essa é pro mestre Cae! Que me contou essa lição de vida, onde eu, filhadaputamente, fiz minhas pequenas alterações =P

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Palavras do mestre

"Ninguém precisa matar em nome de Deus; matar em nome de Deus não é tornar a Deus um assassino?"
José Saramago

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Brinquedo de criança

Você pode um dia encontrar esse pivete nas ruas de Chicago, resolver fazer um “Guti, guti” e terminar como uma peneira.

Não, o moleque não é a reencarnação do mal. Ainda.

É que o avô deste guri resolveu dar uma escopeta para ele brincar. Coisa linda, dar uma “doze” para um moleque de dez meses! Nem para esperar ele completar um ano!?

O mais bizarro de tudo isso é que o Estado de Illinois concedeu o porte de arma para o guri de 10 meses. E sabe quanto custou? Menos de R$ 10,00. O Dólar está a R$1,94, o porte de arma custou U$ 5,00. Uma pechincha.

E nego ainda acha bonito. "Olha só que gracinha, estourando os miolos do cachorro do vizinho" (pode ser o cão ou o vizinho).

Então, meus amigos imaginários, tomem cuidado, pois, se a moda pega, vai ser febre topar com carrinhos de bebê armados até os dentes. Opa, eles ainda não têm dentes!

domingo, 6 de maio de 2007

Virada Cultural, em vários sentidos

Nos dias 5 e 6 de maio, a prefeitura de São Paulo promoveu a Virada Cultural. Acontecimento que consiste em vários eventos culturais distribuídos pela cidade num período de 24h.

Mas esse acontecimento teve várias facetas e a inversão de valores é a mais explorada, hoje, pela imprensa. Os acontecimentos nos arredores da Praça da Sé ganharam grande destaque.

Houve um desrespeitoso atraso de 1h30 no show dos Racionais MC´s, o que irritou o publico que lá estava.

No Palco montado na Praça da Sé aconteceram quatro shows: Alceu Valença, Andrew Tosh, Nação Zumbi e Racionais Mc´s.

Os três primeiros aconteceram de forma tranqüila, como nos outros palcos pela cidade. Mas quando entrou atrasado, às 4h30 da madrugada, o grupo de “artistas” entrou com uma postura de “ignorar” os policiais, que a festa era “nossa”.

Com apenas meia hora de “show”, os ânimos se exaltaram ainda mais e o confronto com policiais piorou, a depredação intensificou-se e ainda mais pessoas ficaram feridas, algumas que não participavam da confusão.

Outro ponto negativo é que em alguns palcos a virada não teve nada de cultural. Houve mais balada a céu aberto que um evento cultural. Muitos se drogavam, embebedavam. A maioria dos grandes palcos, como o de Tecno e Psy não foi nada além do Circo, uma recriação brilhante da política da Roma antiga.

Não se via manifestação cultural, mas um bando de gente sob estado alterado de consciência sem qualquer perspectiva que não a de estar no estado de consciência alterado.

O mais notável foi ver o centro da cidade de São Paulo tomado por famílias, idoso, crianças. À Praça Don José Gaspar, houve apresentações de piano, um palco com apresentações de teatro e um última com oficinas de circo, maioria composta por jovens provenientes de comunidades carentes.

Na noite de ontem, eu vi famílias andando pelas ruas do centro, não apenas travestis e prostitutas. Houve muita coisa boa, como no Palco de Dança, com apresentação de danças clássicas como Ballet e Tango ao maracatu, rap e coco do cia. Omstrab.

Eventos como estes da virada cultural são louváveis. Mas infelizmente acabam manchados com episódios como os da Praça da Sé. A depredação também foi grande. O que se espera é que se aprenda com os episódios dessa virada, os bons e os ruins.

Que a próxima virada seja ainda mais cultural que esta. São Paulo precisa de mais cultura a céu aberto, balada já temos demais. A cultura por aqui fica escondida demais da população. Esses primeiro formatos são bons para aproximar a população com as próprias raízes, com aquilo que é bom e que está na nossa cultura, mas não aparece.

Só falta escolher bem quem participará. “Artista” que não respeita o público e ainda incita a violência deve ficar de fora, para que não se macule uma iniciativa como a deste evento.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Democracia

Naquilo que pode ser entendido como um renascer da democracia, na França, com um comparecimento recorde no primeiro turno das eleições para a presidência. 73,87% dos franceses foram às urnas. Para ter noção do que isso representa, 58,5% havia comparecido na última eleição.

Imagino qual seria o comparecimento às urnas caso as eleições no Brasil também fossem com voto facultativo, pois com o voto obrigatório, tivemos um comparecimento de 83,3% no primeiro turno.

Isso quer dizer que dos 125.913.134 de eleitores aptos a votarem à presidência da república, 21.092.675 resolveram não votar. Isso ai, 21 milhões não votaram no primeiro turno, mesmo que obrigadas a fazê-lo.

Acontece que no segundo turno a coisa piorou. Mais três milhões de pessoas decidiram não votar. Isso ai, 24 milhões de pessoas não foram votar no segundo turno das últimas eleições.

Somos um país bem mais populoso que a França. Porém, o feito de 73,87% da população francesa ter decidido votar é extraordinário.

Comprando ao exemplo da nossa democracia que sempre foi às avessas, que foi implantada, nem que para isto fosse necessário prender, bater, espancar e matar. Pela democracia onde somos obrigados a votar, que obriga a manifestação daquele que está completamente desinteressado. Não se pode obrigar a participar.

Precisamos de uma reforma. Precisamos de honestidade para nós mesmos, para que o que assuste não seja a abstenção proibida, mas um surpreendente comparecimento. Para consolidarmos uma democracia, temos primeiro que liberar nosso cabresto que nos obriga a ser uma sombra daquilo que realmente queremos um dia ser.

Temos que ser, não aparentar. Mas para ser, é preciso passar por todo o processo de mudança. Falta dar o primeiro passo, descarrilar o nosso trem exausto, para de uma nova estaca zero começar.

sábado, 21 de abril de 2007

Porra, vó!

Lá estou eu debruçado na geladeira, literalmente dentro dela, procurando algo para beber enquanto fico no pc.

Então, deparo-me com a única coisa que sobrou do almoço em família: Pepsi light.

Tinha um Dolly Coca Diet, mas entre a bosta e a merda, eu fiquei com a bosta.

Porra, vó, como é que você me compra uma desgraçada dessa e pior, ainda por cima paga por isso? E eu ainda tenho que beber, já que ninguém bebe essa porra. ¬¬

Eu ainda vou fazer as compras do mês. Um dia. Quando eu tiver saco. E dinheiro. Ai, meus amigos, só haverá coca-cola e H2OOH.

Digam amém!

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Putz. ¬¬

- Oi.

- Oi.

- Tudo bem?

- Tudo.

- Er... Então...

- Então?

- Sabe?

- Ahn?

- É que...

- É que o quê?

- Parabéns!

- Ahn?

- Feliz aniversário!

- Ahn? O.o

- Não é o seu aniversário?

- Não!

- Não?

- Não.

- Putz.

- É.

- Desculpa, foi mal.

- Tudo bem...

Depois não sabem por que eu odeio aniversário. ¬¬

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Primeiro ensaio sobre a ética

Nas minhas diárias viagens de metrô acabou sempre por ouvir conversas perdidas.

Ontem, quando subia as escadas rolantes da estação República, ouvi um diálogo, de um casal atrás de mim, um tanto o quanto interessante.

- Meu, o Valdiram tá guardando maconha pros caras na casa dele e descolando 150 pila por mês.

- Só de guardar o bagulho?

- Só.

- Imagina se eu pego um barato desse...

- Mas ai você ia acabar queimando o filme dos seus pais se desse alguma bosta.

- É... O que vira é fazer isso morando sozinho.

- É. Com a grana do trampo, mais uns 150 conto de só esconder o bagulho pros caras a gente tava tranqüilo.

- É, guardar não é vender, não é verdade?

Entendo, eu, como ética a parte da filosofia que estuda os costumes, valores e a moral. Ética é uma palavra de origem grega, vem do termo ETHOS, que significa modo de ser.

Nosso modo de ser é norteado pelos nossos valores e costumes. Costumes são hábitos, tanto individuais como coletivos. Já nossos valores são constituídos pela repetição de nossos costumes.

Ou seja, a ética tem marcas coletivas e marcas individuais. Outra marca é que a ética não é imutável, os valores vão se alterando de acordo com época, localidade, grupo e segmento social.

Por isso, seria leviano de minha parte dizer que os interlocutores desse diálogo não possuem ética, ou ferem a ética. O que eu posso dizer é que eles ferem a minha ética.

Para mim, guardar essa droga é fazer parte do sistema de venda do tráfico, é ser uma peça da maquinaria que move essa ação criminosa que é a venda de entorpecentes.

Acontece que eles não interpretam assim e mesmo que interpretem dessa forma, para eles, se não venderem, não fizeram nada de errado. É a alteração de um valor. Não vou dizer se é boa ou má, afinal, seria exprimir juízo de valor sobre um tema que não está em debate neste texto, que é a legalização de certas drogas.

O que quero caracterizar é que a moral excede as linhas das nossas normas jurídicas, já que o porte da droga também é ilegal. Acontece que há uma alteração de nossa norma moral, ou seja, uma alteração, ou um contraste da ética dentro um segmento social que engloba a nossa sociedade.

Celeuma que tenho neste momento é: Se as pessoas estão cada vez mais dispostas a aceitarem a transgressão de nossas leis como algo habitual e normal, o quão próximos estamos da desestruturação de nosso sistema de estado de direito?

Nossas instituições perdem legitimidade, a corrupção pessoal é, cada vez mais, uma esperteza e não imoralidade. Meu temor é, que nesse trânsito da moralidade para imoralidade, o caminho que mais se torna atrativo é o da amoralidade. Aquele que puder, não feche a porta quando sair de nosso caos, há muitos por passar.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Clodovil e a Marta

Deputado gasta R$ 200 mil na reforma de seu gabinete.
Deputados ainda colocam em pauta a extinção das sessões deliberativas às segundas.


Como se a falta do que fazer não fosse grande em Brasília, o(a) deputado(a) Clodovil Hernandes (PTC-SP), torrou R$ 200.000,00 na decoração de seu gabinete, de forma excêntrica.

Clodovil comprou uma escultura de uma cobra, a qual nomeou por MARTA. Ele jura de pés juntos que não tem a menor ligação com a atual Ministra do Turismo, Marta Suplicy.

É isso que merece ter o povo paulista. Votou mal, muito mal. Agora agüenta, seus impostos indo pelo ralo.

Enquanto isso, os folgados do planalto votam a folga na segunda. Eles não querem mais votar nas segundas-feiras. Ou seja, a gente continua pagando, só que agora eles nem ao menos fingem que trabalham.

Que lindo! Isso, meus caros, é Brasil!

500 mil votos no Clodovil, para fazer isso.

Mas como criticar quem votou no Clodovil, quando os outros me aprontam uma dessa?

O negócio é ir pra praia e esquecer.

O negócio é mandar um por um se foder, mas com todo o respeito, afinal, são digníssimos deputados.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Saudade



Clipe de música instrumental que eu compus hoje.

Degustem com parcimônia.

Teste idiota


How evil are you?


Eu fiz, e o negócio diz que eu sou neutro, que nem sabonete da minha vó. ¬¬

Se você não tiver o que fazer, faça. Ou não. =P

sexta-feira, 30 de março de 2007

Rapidinha do Metrô

Estava eu no metrô, como costumo, no mesmo vagão de sempre, só que num horário incomum, 2h30 da tarde.

Esse horário foi um tanto inusitado, pois só havia pessoas mais estranhas que a estranheza habitual das pessoas que utilizam o metrô nos meus horários normais.

Havia um conjunto de seis moças sentadas do lado oposto ao meu, cinco meninas e uma bichona. Falavam sobre homens.

Eu ouvia os comentários e me segurava para não rir, de tão bizarro que era. Quando, inesperadamente, uma solta um pérola.
"Homem é que´nem pasto. Você cultiva, aduba e vem uma vaca, come e não deixa nada."
Neste instante tive a certeza que sou uma erva daninha. Já que ninguém cultiva e nem aparece nenhuma vaca... ¬¬

terça-feira, 27 de março de 2007

Programa Especial - Almir Sater

O Piralampo de Rei do Gado,
Músico, Violeiro do Mato Grosso, grande figura da música brasileira.

Vale a pena ouvir, para conhecer um pouco mais da cultura de nosso país.

Entrevista com Almir Sater

quarta-feira, 21 de março de 2007

Móveis Coloniais de Acaju!

Aqui está a entrevista com os caras do “Móveis Coloniais de Acaju”, realizada por minhas colegas de Jornalismo, hoje.

Essa sonora de pouco mais de trinta minutos irá ao ar na semana que vem, Quarta-feira, 28. Porém, você, meu amigo imaginário, poderá ouvi-la antes.

É... Se você tiver paciência, também. =P

Se a tia chata deixar, Sexta eu entrevisto o Arnaldo Antunes. Se a mulher deixar. Se ela não deixar, não entrevisto, já que eu não queria mermo... ¬¬

Entrevista com o Móveis

quinta-feira, 15 de março de 2007

Google se enraba enquanto Surfistinha se emociona com texto de Inagaki

O Google cometeu mais uma das suas, e acabou obrigado a pagar a bagatela de R$ 3,8mi à senhorita advogada gaúcha que não tem o nome divulgado pelos portais de notícia, neste momento, por todos estarem com um cagaço da menina.

Ela deu a sorte de ser relaciona à Bruna Surfistinha nas pesquisas do Google. Lembrando ao amigo inexistente leitor que Bruna Surfistinha só pega onda sonora, já que surfistinha só no nome, de guerra.

Nossa “guerreira” (muito ‘Pedro Bial’ isso =P) parou de falar de putaria, para a tristeza dos marmanjos de 16 anos, que não largavam a ferramenta ao ler os textos da moçoila... Ossos do Ofício não tem nenhum post.

Engraçado que um tal de Pedro pegou o texto do nosso prezado Inagaki e fez-se o favor de realizar pequenas alterações para emocionar nossa pseudo-ex-puta. Até marejou os olhos da garota, mas duvido que tenha conseguido algum programa com a moça.

Afirmo isto na convicção de dizer que, desde que o mundo é mundo, as putas gostam de receber dinheiro ou adjacentes por programas e não cantadas e textos bonitinhos. Se assim não o fosse, eu seria um dos maiores comedores do mundo, já que texto bonitinho pra puta eu já escrevi um monte e nenhum teve resultado diferente de: “Muito lindo isso, mas é 20 conto do mesmo jeito”. Não que eu tenha utilizado esses serviços, é claro...

Então, graças a uma cagada de seu sistema de busca, o Google chamou uma advogada de puta, puta que recebeu uma cantada com um texto do Inagaki. Ou seja, Inagaki, investe nela filho, que, na pior das hipóteses, ela te dá um desconto.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Um toque de nostalgia

Hoje seria uma quarta-feira como qualquer outra. Haveria futebol às 9h45min, como habitual, eu assistiria ao jogo.

Corinthians e Pirambu, válido pela Copa do Brasil. Jogo nada empolgante, só pelo título do letreiro. Mas foi incomum.

O futebol jogado foi irrelevante, tirando o fato do empate.

Pirambu é uma cidadezinha no litoral sergipano, posicionada a 76 quilômetros de Aracaju, tem um pouco mais de sete mil moradores. A cidade subsiste, principalmente, através da pescaria de pirambu e camarão.

Tudo isso seria informação jogada ao vento, se o que se tivesse assistido ao jogo não tivesse sido tão tocante.

Mais que jogadores determinados, mais que um grupo unido, mas que um time cheio de garra, se viu um grupo de homens simples, honrados, descentes.

Ao final do primeiro tempo, um jogador do Pirambu foi expulso. Ao invés de vaias ao rapaz que saiu chorando, a torcida continuara catando. Ao voltar para o segundo tempo, ao invés de criticar o companheiro, o discurso foi “Vamos vencer pelo Eduardo”.

Porém, aquilo que mais encantou no discurso do capitão foi o apelo ao respeito à família, ao quão importante era para os moradores de Pirambu aquele jogo.

Apesar de o jogo ter sido em Aracaju, havia muitos presentes torcendo para o time local.

Confesso que já torcia para o Pirambu, mas depois desse momento, eu queria que aquela frágil equipe, infinitamente menos técnica, com um jogador a menos vencesse. Eles não jogavam para alcançar uma visibilidade nacional, conseguir exposição para avançar ainda mais na carreira, mas jogavam por algo mais romântico, algo mais nostálgico, jogavam por aquilo que representaria para quem esperava algo deles, em campo.

Ao término do jogo, os comentaristas da tevê Bandeirantes escolheram o goleiro Alan como melhor em campo.

Ao ser entrevistado e indagado sobre o fato, ele não falou sobre o jogo.

Alan preferiu falar sobre o pai, que foi assassinado em sua cidade natal e apenas pediu justiça. Não quis saber de falar do jogo, de expor sua cara, para, quem sabe, ir para um clube maior.

Nesse jogo, eu vi algo que há muito tempo eu não via: o futebol pode ir muito além, pode seguir por designos muito maiores, por mais utópico que pareça. Ainda há coisas mais importantes que fama e dinheiro. Se duvida, espere até semana que vem, quando o Pirambu vir a São Paulo e, então, confira por si.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

É carnaval

Sonhos, samba, serpentina, sexo.

Desfile, dança, despida, desvia o foco.

Confete, compete, comoção.

Passista, pára o trânsito, todos para o litoral, todos para o caos.

Engarrafamento, enredo, eu não entendo.

Feriado, dormir, não dormir, tv.

Estica com o sábado, domingo, pega a quinta e a sexta, alonga o feriado,

Juliana Paes, Daniela Mercuri, Ivete Sangalo.

É carnaval.

Que saco.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Cuidado, cinto de segurança mata

Quando for passear com seus filhos, não os façam utilizar o cinto de segurança, você pode matá-los. Hoje, ser assaltado é lugar-comum. Comprar um 38 chega a ser tão fácil quanto a um dropes, então, cuidado, pois hoje um daqueles meninos, que lhe venderiam um Halls, poderia abordá-lo e levar o que de mais importante há.

Cuidado, pois dias de sol podem matar. Naqueles que o calor é insuportável e você tem que abrir os vidros do carro para não sufocar. Então, com os vidros abertos, ser assaltado é mero detalhe de qual semáforo você terá que parar.

Atenção, meu amigo, pois uma decisão errônea será decisiva ao seu apótema. Imagine ter que conviver com o fato de que seu filho foi obrigado a usar o cinto de segurança? Imagine toda vez que se lembrar do fatídico vir a mente a pesada culpa de tê-lo obrigado a travar o cinto ajustado ao corpo? Por segurança? Segurança que mata?

Dia 12, Márcia Monteiro foi assaltada e seu filho estava no banco de trás, como habitual. Por sorte, o garoto estava sem o cinto de segurança e livrou-se do infortúnio do mais cruel déjà vu que poderia acontecer em uma semana na ensolarada tarde do Rio de Janeiro.

Isaque é um garoto de sorte. Escapou de 7 km de via pública, de ter seu corpo arrastado, esfolado, esquartejado de forma covarde e cruel. Teve muita sorte, por não ser mais um Cristo vestido de boneco de Judas. Isaque teve sorte, pois poderia se chamar João. Mas teve mais sorte, por não ter usado o cinto.

Então, mamãe, da próxima vez que eu dizer que não quero usar o cinto, acredite que não é porque não gosto, mas porque tenho medo, pois não sei como me soltar do maldito cinto.

sábado, 27 de janeiro de 2007

Ócio

O excesso de coisas a fazer me levou a gastar meu tempo assistindo um pouco da novela das 8h, que começa às 9h. Surpresa tive do autor ser Manoel Carlos. Na hora tive as seguintes deduções:

  1. A Novela se passa no Leblon.
  2. Há uma Helena.
  3. Essa Helena se fode.
  4. Sempre tem alguém ligado da área da medicina entre os principais da novela.
  5. A Helena tem algum parente doente/problemático.
  6. Há algumas gostosas vadias.
  7. Há uma gostosa malvada.
  8. O José Mayer come umas três, quatro ou mais na novela.
  9. Vai ter uns dez personagens que se fodem na novela.
  • Seis pra dona de casa se compadecer e chorar junto;
  • Um para levantar um assunto que a globo pediu pra vir com o converse de responsabilidade social;
  • Três pra dona de casa pular de alegria, bater no peito e dizer com toda a força do pulmão: Se Fudeo!

E ai, parece que é o quê? Páginas da Vida, Por amor, Laços de Família ou Mulheres Apaixonadas?

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Apotegmas

No dia 10 de janeiro, um homem foi condenado a 180 dias de reclusão, mas poderia ficar apenas 10, se aceitasse fantasiar-se de cachorro. O Robert Clark atirou na cabeça de seu cachorro, que pela gravidade dos ferimentos, teve que ser sacrificado.

O juiz do estado do Ohio decidiu que caso Robert aceitasse se fantasiar de filhote de cachorro e ir a cinco escolas municipais para orientar crianças sobre assuntos que vão de drogas até regras de trânsito, teria sua pena reduzida.

Ragheem Smith também aprontou. Smith não tinha muito saco em ficar procurando vaga em estacionamento lotado, como a maioria de nós mortais, então viu aquela vaga reservada para deficientes. Ele não resistiu.

Quem nunca ficou um bom tempo procurando vaga para estacionar seu carro no shopping? Pois é, Smith agora será um de nós.

Pego, ele foi a julgamento. E o veredicto foi para que ele ficasse frente a vaga, segurando uma placa com os dizeres “Não sou deficiente. Apenas estacionei ai. Desculpem-me.”

Na Carolina do Sul, estacionar em vaga de deficiente e não ser deficiente pode lhe causar sérios problemas. Ou você paga U$ 325 ou aceita passar um mês no xadrez. Smith disse que não tinha dinheiro para pagar a multa, e não poderia se ausentar por 30 dias de seu emprego. O corregedor Jeff Bailey, então, decidiu por essa pena alternativa.

Não tenho notícias de ter havido, no Brasil, punições dessa estirpe. Essas infrações, consideradas pequenas, não são levadas a sério por aqui.

Você pode até achar um exagero prender alguém por estacionar na vaga reservada, mas em países que as leis são levadas a sério a ordem, a segurança e as instituições existem e são respeitadas.

Será que nós podemos reclamar desse sentimento de impunidade que os tubarões da política têm? Será que podemos nos assustar por criminosos continuarem cometendo suas atrocidades de dentro das cadeias? Nós, também, estamos impunes.

Furamos filas, andamos na contramão (levamos uma bela multa, eu sei), atravessamos fora da faixa, deixamos o velhinho em pé no metrô enquanto estamos sentados no assento cinza, ligamos o som a toda em horário inadequado e por ai vai.

Todos cometem pequenas infrações e não são punidos. Nada é punido por aqui. Como esperar que uma sociedade melhore e prospere se ninguém passa por um Apotegma?

Muitas vezes pensamos estar num estado que todos deveriam ser iguais diante da lei, mas só que alguns são mais iguais que os outros. Mas a realidade é que estamos num estado sem lei, sem réu ou juiz. Isso é um tumulto se maquiando de sociedade.

Acredite no que quiser. Ou infração é infração e tudo é observado, dentro de sua relativa significância, ou estamos num estado de ninguém. A escolha é sua. Está disposto a passar por um Apotegma?

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Farinha do mesmo saco

A “grande” questão que ronda os palcos da política, nos últimos tempos, é a eleição para a presidência da câmera dos deputados.

Havia duas candidaturas, uma do atual presidente, Aldo Rebele, do PC do B, amigo do presidente Lula, um pseudo-comunista. Por outro lado, o candidato Petista Arlindo Chinaglia. Dois deputados eleitos por São Paulo.

Duas candidaturas governistas, o que mostrava uma apatia da oposição por não levantar a bandeira de um candidato que fosse contrário à situação.

Então, José Serra e Aécio Neves, governadores de São Paulo e Minas Gerais, articulavam um esquema para dar a presidência da câmera ao Petista Arlindo Chinaglia, em troca, teriam apoio do PT para colocar seus candidatos nas presidências de suas respectivas Assembléias Legislativas.

Acontece que essa atitude desagradou uma série de líderes Tucanos, principalmente aqueles que têm maior proximidade a lideres do PFL e que posicionam-se contra o PT. Ou seja, a Ala de FHC e a derrotada Alckmista.

Se antes já se acreditava que o PSDB fosse um partido rachado, hoje se tem a certeza de que é. A manobra de Serra e Aécio foi possível pelos líderes do PSDB Baiano, que de todos os diretórios estaduais, é o mais próximo ao PT.

PSDB e PT, na Bahia, fazem grande oposição ao PFL, até di-se por ai que os membros do PSDB da Bahia são mais Petistas que os próprios Petistas.

Então, após certa sacolejada do PSDB, FHC conseguiu levantar uma terceira candidatura e acabar com o acórdão de Serra e Aécio. O que não muda muito o cenário.

Serra e Aécio parecem não temer muito a queda do esquema que levaria um candidato da situação à presidência da câmara.

Acredita-se que o candidato do PSDB do Paraná, Gustavo Fruet, dificilmente passará ao segundo turno, quem dirá vencer as eleições!? E mesmo, numa hipotética possibilidade, que fosse eleito, não crê-se que ele conseguiria ter a influência que se esperaria.

No fim, independente de quem for o próximo presidente da câmara, só se tem uma certeza, que pouca coisa vai mudar, apoiado na certeza de que os três candidatos e seus partidos são farinha do mesmo saco.


Notícias interessantes sobre:
http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,AA1423661-5601,00.html
http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,AA1423923-5601,00.html
http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,AA1424269-5601,00.html

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Milhões

Beckham conseguiu o emprego dos seus sonhos, vai pra Hollywood.

Lá ele poderá fazer o merchan, fingir que joga, ganhar dinheiro pra limpar o cu por isso, e ninguém vai reclamar, já que ninguém lá assiste a porra dos jogos.

Ele vai é pra fazer filme. Tanto que quem bancou a contratação foi um grande estúdio.





É muito provável que lá ele vá se dar muito bem, já que seu futebol nunca passou de ficção.Há rumores que Jack Bauer será contratado para fazer a segurança do "atleta" =P

Enquanto isso um goiano ganha a mega sena acumulada que era minha. É um fiodiputa mermo. ¬¬