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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Coisas de TGI na estrada...

A coisa mais irônica do dia de hoje foi a saída de um motel. Uma placa, mui inocente, proclamava: "É sempre um PRAZER lhe receber". Coisas de Piracicaba...


Cidade muito aprazível diga-se de passagem. =D

terça-feira, 29 de julho de 2008

Leite Parmalat

Todas as verdades estão contaminadas. Todas as palavras estão perdidas em discursos vagos, direcionadas a corações imprecisos que se prendem a qualquer frase como naufrago se amarra a uma garrafa vazia de um bom falerno boiando ao seu dorso.


Nossas esperanças estão vendidas a velhos emergentes que enriqueceram com as falhas de ontem. Nossas crenças estão cerceadas por vontades mercadológicas, nossa alegria está condicionada a letras digitadas por um roteirista qualquer do outro hemisfério. Em qualquer prateleira se vê felicidade de plástico.


Nossos dias são sentados, muito bem acomodados, poltronas especialmente desenvolvidas, para aquela sua dor na segunda ou terceira vértebra, massagem para a tensão escondida de ter traído quem mais o ama, como se o amor não passasse de uma mera convenção mal estabelecida entre duas pessoas que se toparam e tiveram libido, por isto, condenadas estão a ter que aturar a outra existência, apenas para ter um maldito alívio.


De todas as nossas tolerâncias, o mesmo veneno ácido. Os dias se vão e se montam os próximos exatamente com o mesmo desenho flácido. O tempo voa e vai cada vez mais rápido, são pessoas correndo, em filas duplas, engarrafamentos praticamente estacionados.


E enquanto tudo isso se faz, as vacas nunca se cansam de ruminar o de que sobrou de ontem pasto.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Maré de azar

Às vezes a gente descobre que nossos desesperos não passam de uma paranóia boba. Aquele suor frio, o medo que cortava a espinha do oriente ao ocidente, o ar seco que rachava os lábios em um dia frio.

Nós temos sonhos, aspirações, desejos. E, por algum motivo que desconheço, gostamos de acreditar que irão se concretizar. Você vai casar com a pessoa que ama, terão filhos, uma boa casa, um bom trabalho, viajará pelo mundo, conhecerá gente, será famoso, terá aquele carro esportivo, uma casa na praia ou às vezes você só quer tocar os lábios daquela garota com quem nunca teve coragem de falar e que não sabe da sua existência.

Mas desse sonho perfeito, que acreditamos estar predestinados e que logo dará certo, logo se fica no plano dos sonhos. Você não consegue se satisfazer. Sente ciúmes, raiva, medo, angustia, solidão, traído, largado, usado, errado, perdido, isolado, esquecido, rejeitado, ferido. E na maior parte das vezes você não tem razão. São sentimentos, a última coisa de que derivam é a razão.

Então, quando não bastava a sua esquizofrenia, vem a realidade e o faz crer que toda a sua paranóia é real. Você leva a primeira rasteira da vida e crê ser uma seqüência. A sua insegurança, que já era incrivelmente perspicaz, se torna homérica. Você começa a destruir sozinho a tudo aquilo que tinha e não perderia por um simples e mero abalo qualquer. Ninguém mandou ser humano.

Dessa humanidade devassa que corre em suas veias, por alguma sacanagem do destino, vem também a solução dos seus problemas. Passa uma noite, duas ou dez, e você esquece do passado intempestivo.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Let it be

Depois de um longo período de silêncio, eu retorno. Confesso que maltratei este blog, com tantos dias de ausência, meses de um texto descente, uma discussão, algo inteligente a ser dito.

As obrigações sugaram o meu tempo. A tristeza me sugou a vontade de escrever. “Nas torturas toda carne se trai” e em minha tortura, ao rasgar minha carne com os problemas forjados por mim mesmo e outras feridas, mero fruto de um acaso inacreditável.

Vi meus castelos desmoronarem juntos. A queda, suas notas, seus horrores, todo o caos soa como orquestra.

Uma das maiores tragédias que se pode abater sobre um homem é ver seu sonho, seu mote, quando vê os pequenos blocos de areia a rachar, paredes feitas ao esmero a deslizar lentamente e se tornarem junto ao chão novamente areia e praia.

Há alguns anos eu havia encontrado a minha vocação. Jornalismo. Carreira bonita, cheia de utopia e hipocrisia; conflitos, exposição, relações disformes entre patrões e funcionários, classe má estrutura e desunida.

Nada disso seria motivo para que eu esquecesse o meu desejo, o meu instinto. Seria eu filho adotivo da palavra escrita, queria ser transmissor de narrativas, de histórias, quereria construir realidades.

Ei-lo, poderia dizer. Mas para o ser reconhecido, necessário se faz ter certo diploma, diploma de bacharel em comunicação. Para tal, é necessário freqüentar regularmente um curso oferecido por uma faculdade.

Para tal, as opções são instituições de ensino público e privado. As públicas, em maioria, têm curso de renome e boa qualidade, porém quando se trata de comunicação, contam com uma estrutura arcaica em muitos casos. As particulares variam entre enganações e bons cursos. E há bons cursos que são uma enganação, também.

Nesta brincadeira, eu apostei num curso particular. Curso novo, porém bem avaliado pelas instituições e com um histórico recente muito animador quanto a investimentos.

Triste ilusão que depois de dois anos e meio de dedicação a minha formação e além de trabalhos, diálogos e debates com corpo docente para o aprimoramento do curso, tal empreitada desmorona.

Nesta semana tive minha bolsa de estudos cortada. Tal medida sem motivo apontado, sem prévio-aviso, sem razão exposta. Simplesmente fora cancelada.

Para completar, a fina e sutil solidão. Em meio ao caos, tenho que me despedir temporariamente da pessoa que amo. Sei que logo estaremos juntos outra vez, mas estar longe, sem poder tocá-la, senti-la, sem ter seus braços como abrigo é muito cruel. Mas é o momento de levantar e encarar.

Este é o peso que irá às minhas costas, resta a minha carregar... Sozinho. Cada um sabe da dor e da alegria que vai no coração.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Diálogos com a minha vó, nº 6.312

Estava eu na cozinha, preparando a minha janta – leia-se pegar o que tem arremessar no prato e comer –, quando a minha vó adentra a casa e solta a digníssima frase:

- Paulo, agora que eu lembrei, tem sopa de ervilha

(ela sabe que eu adoro sopa de ervilha)

- É mesmo, vó? Então, deixa ai na pia que depois eu como. Já coloquei macarrão no prato, mais tarde eu tomo a sopa.

- Então, posso esquentar?

- Lógico que não, vó. Eu só vou comer mais tarde e...

- Então, você esquenta depois?

- Vó, se eu te falar uma coisa, a senhora promete que não fica chateada?

- Han.

- Não, vó, eu não vou esquentar.

- Mas tem graça comer a sopa fria?

- Vó, se eu te falar uma coisa, a senhora promete que não fica chateada?

- Han.

- Tem muita graça!

- Mas gelada desse jeito ela vai lá ter sabor, menino?

- Vó, se eu te falar uma coisa, a senhora promete que não fica chateada?

- Han

- Ohhhhh se tem!

- Gracinha!

Eu sei, minha vó assiste Hebe (sem a preposição mesmo, parece que ela até conversa com a tevê) e não nega o fato.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Informe

Estamos afastados por tempo determinado de duas semanas. Talvez eu volte antes. Talvez. =P

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Cotidiano II

Seis e dez da manhã, o despertador grita e, com a delicadeza de um paquiderme, ela o desliga. Mais um dia como outro qualquer.

O banho morno pela manhã. Graças ao Pai pelo gás encanado, pensa. Faz de tudo para não molhar um fio de cabelo; não confia na toca, acha que esse plástico vagabundo engana. Não confia muito na propaganda do sabonete, por isso, compra o que sua mãe sempre comprou ao invés do que parece ser melhor na propaganda. Mas testar, nunca testou.

Ao sair do banheiro, enrolada a duas toalhas enormes, confere o esmalte, apanha os cremes e se a senta à penteadeira. Lá vem toda uma seqüência usual. Creme às pernas, ao rosto, às mãos, ao cabelo, creme ao creme. Muito creme.

Após fechar os vasilhames apanha a escova. Escova à direita, à esquerda, e escova mais um pouco. Na realidade perde uns dez minutos escovando aos cabelos. Quando se convence de que melhor não fica, vai se vestir. Nessa brincadeira já são dez para sete, e as oito ela tem que bater o cartão.

Vai à cozinha, abre a geladeira, pega um suco qualquer, nem presta atenção na cor da caixa, toma sem sentir o sabor. Que sabor? É tudo sintético. O suco de limão parece o de groselha e tem gosto de uva, o de uva parece o de limão e tem gosto de groselha, e o de groselha parece o de uva e tem gosto de limão.

Come uma maçã e se dá por satisfeita. Um café da manhã esplendido, ao menos para os seus padrões de dois minutos.

Por sorte, mora a dois quilômetros e meio do trabalho. Iria a pé, se não houvesse um calor infernal, se sua produção não fosse toda devastada pelo cruel vento que há lá fora. Vai de carona. Ela detesta o rapaz que dirige o carro. Ele sempre faz cantadas bobas, já roçou um dedo em sua coxa ao trocar de marcha e por isso levou um tapa.

Labutava ao trabalho, secretária executiva não tem vida fácil, principalmente quando seu patrão é egocêntrico e crê que sua secretária é uma agenda ambulante que deve tomar conta dos detalhes de sua vida, que é a responsável para que tudo dê certo. Ao menos, ele pensa que o mundo funciona assim. O mundo pode até não funcionar assim, mas seu escritório de contabilidade...

Dentro de toda essa correria, o escritório aos poucos se esvazia e o patrão deixa sobre sua mesa uma série de arquivos para que ela organize, sem falar na agenda do dia seguinte para finalizar. Ter que fechar o escritório era algo irritante, muito desgastante, não era a sua função e ficar até tarde, não ter tempo para si, era revoltante. Revoltante até o dia que descontava o contracheque.

Ah! Como ela gostaria de estar à beira-mar, passeando descalça com os pés beijados pela ponta do oceano que desemboca no último tocar na areia, ouvir a onda quebrar. Ah! Como ela queria! Pena que não podia.

Sentia o desejo de desaparecer, de mudar, de sumir de toda essa pugnação indigesta por ninguém que realmente faça parte de sua vida. Está cansada em esfacelar-se por estranhos.

O emprego era bom. Perto de sua casa, bom salário, seguro, com todos os direitos assegurados e todos os conformes em dia. Mas era um saco.

Terminou de pensar, agora faltavam apenas umas dez páginas para organizar. Mas para que organizar? O patrão nunca olhava os arquivos!? Ficavam num andar a baixo, empoeirando sobre as prateleiras. Para que tanto trabalho? Para que a poeira tivesse seu espaço, afinal, poeira coitada, malograda por todos, precisava do seu espaço! Mas para isso a pequena tinha que ficar até mais tarde lá no escritório, fazendo o trabalho que sobrou e que ninguém realmente precisaria fazer. Era por caridade a cada tufo de poeira carente! Ação social de uma empresa, incompreensível o mau gosto com que a guria levava essa obra...

Depois de pensar mal de Deus e do mundo, ela acaba. Tranca tudo, e sai. Vai andando para casa, em meio ao silêncio da ausência do trânsito que já acabou há algum tempo. São quase dez da noite.

Ao passar frente à padaria resolve tomar um café e comer algo já que não há janta em casa, já que não está disposta a preparar nada a essa hora.

Come uma pequena refeição e um chocolate na sobremesa. Chocolate, segundo ela, dependendo de qual for a marca, é tão bom quanto sexo. Bem, eu nunca vi nenhuma mulher a ter orgasmos comendo chocolate. Mas se for ela quem diz, quem sou eu para discordar?

Após ter seus delírios do sabor ao leite, vai descendo a rua para enfim chegar a sua casa. O sinal está amarelo, longe vem um carro preto, meio devagar, mas ela nem o olha, apenas mantém os olhos fixos ao farol.

É atropelada. Caída ao chão, passa alguns minutos desacordada.

Ao acordar vê um rapaz olhando-a fixamente. Ela se enche de raiva, vê que seu vestido rasgou, que sua blusa perdeu uns dois botões, ficara suja. Sem falar nos arranhões nos braços e pernas que ardiam.

Vendida ao ódio, só queria degolá-lo, até que ele concebeu seis palavras: “Meu Deus, como você é linda”.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Cotidiano I

Ajeitou o paletó, acertou a gravata, passou a mão aos cabelos, olhou-se e viu-se ao espelho, criticou-se por um instante e gostou. Pegou a pasta que estava aberta sobre a cama e colocou alguns papéis que estavam junto ao seu livro na cabeceira.

Chega à cozinha, pega o café de ontem, ainda frio, toma-o, olha o jornal por cima, não vê nada de relevância verdadeira, apenas mais desfalques, picaretagem ou viagens de lideres para falar de absolutamente nada. Nada que intervenha e sua vida e quebre seu cotidiano.

Dá um afago ao cão. Larga o jornal. Esqueceu o café pela metade, estava horrível, amanhecido, frio. Não comeu o pão, deu ao cachorro, não tinha fome pela manhã; sua mãe sempre deixa o pão que, se comesse, lhe embrulharia o estômago.

Abriu a porta da rua, apagou a luz, apesar de ainda não estar claro, sua mãe tinha a mania de deixar as luzes acesas à noite quando ia dormir. Olhou para casa por desencargo de consciência e fechou a porta.

Desceu os degraus, nem os reparou, quase tropeçou por desleixo, segurou-se ao corrimão. Esbravejou, recompôs-se e entrou no carro e foi-se.

Meia hora depois, sua mãe se levanta. Vê migalhas aos pêlos do cachorro, sorri, já sabe que seu filho deu o pão outra vez ao cão.

Vai à mesa, recolhe a xícara e o jornal, arruma a mesa, faz duas torradas, suco, um pouco mais de café, deixou a mesa posta.

Levou o cachorro para o quintal, colocou a ração que o cão detesta, mas tem que comer, à vasilha. Vai ver o pão adormecido é tão mais saboroso que aquela coisa marrom que o cão fique com nojo da coisa marrom só de ver. O enjôo de um é o tesouro do outro.

Quinze minutos depois seu marido acorda, senta-se a mesa, dá a ela um afago e apanha o jornal sem tocar a comida, da forma como ela detesta, pois, segundo ela, o jornal é sujo e comer com mãos sujas de jornal é nojento. Ele acha isso uma bobagem. Já foi uma dificuldade convencê-lo a lavar as mãos antes de comer, diga-se então não ler o jornal a mesa, sobre suas tenras palavras, do alto de seus sessenta e oito anos, isso é tudo uma viadagem.

O pai é uma figura interessante. Machista deveras, militar da reserva, endoidou quando o filho cogitou ser vegetariano, para ele, essa história de comer apenas folhas é coisa de maricas. Só aceitou a idéia de o filho ter tal prática quando soube que era proeza do rapaz para arrastar asas a uma bela guria.

O jovem era mulherengo. Era. Depois que se enveredou em certos lençóis e acabou se traindo pelo apego, descobriu o que é sofrer nas mãos de uma mulher. Depois disso desistiu um pouco. Encheu a cara umas duas vezes, mas não conseguiu olhar pra mulher alguma, só queria esquecê-la.

Leu todo o jornal, xingou o presidente até a sétima geração, isso porque lhe faltaram termos, leu sobre o próximo jogo do seu Flamengo, que apesar de estar aos trancos e barrancos, é o seu Flamengo.

Largou o jornal sobre a mesa, pegou um copo de suco, um pedaço de bolo e um pão; foi para a sala assistir tevê. Assistia a tevê e a criticava, falava da pouca vergonha, da safadeza e das bobagens ditas. Odiava, mas assistia, odiava, mas sem ela, viver não conseguiria, pois todo dia são os mesmo programas, as mesmas birras, as mesmas coisas. E sem essas coisas, seu dia vazio ficaria

A senhora segue limpando o domicílio, seguindo a rotina, arruma e limpa os quartos, a sala, cozinha, banheiros, lava as roupas, vive em função da casa. Passam-se os dias, passa-se a vida e ela continua ajeitando a almofada na sala.

O rapaz logo chega ao trabalho, escritório chato, cheio de papéis pra lá e pra cá, por todos os cantos é papelada, burocracia; é forma que encontramos de organizar o tumulto de nossas vidas, uma forma bela de construir a desconstrução, desordem corrigida pelo acaso que muda nossas vidas.

Trabalha, trabalha e trabalha, labuta e cai o suor. Tudo para passar e esquecer a insignificância daquilo que fazia, carimbar papel. Lia as baboseiras escritas por advogados que defendiam as picuinhas dos outros, seu dia era apenas ler e carimbar, carimbar e ler.

Seus colegas tiravam-lhe sarro. Nenhum deles lia nada, olhavam por cima, só liam o que acham engraçado para comentar na salinha do café. Conversavam das bobagens alheias, de como a nova secretária do dono do escritório é gostosa, que o jogo de quarta-feira foi horrível, marcam um churrasco no domingo, que nunca se realiza, combinam de tomar algo depois do trabalho, que sempre acontece.

Cinco horas, horário sagrado, intocável, apenas infringido quando o chefe ameaça com horas-extras, as pastas pretas com papelada chata, tão odiadas.

Logo o trabalho acaba e todos vão matar o cansaço na mesa do bar. Música, alegria, bebida, conversa vaga em todos os cantos, garçonete com uma minúscula minissaia, desafrouxadas gravatas, paletó no carro, sem os sapatos do dia inteiro, roda de samba, cantoria, alivio.

Pegou suas chaves e saiu. A rua vazia, tímida. O rapaz morava longe, mesmo quando o tráfego ajudava, a casa demorava a chegar. Por um acaso foi trocar seu cd, abaixou-se, passou ao sinal vermelho e uma jovem atropelou.

Saiu do carro, desesperado, desarrumado, desajeitado, trocando os passos, olhou-a como se fosse à última, admirou-a de ponta a ponta, até que abriu seus olhos e disse “Babaca”.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Quando mais eu rezo...

Mais uma vez, Ive me proporciona um bom post. É incrível o que acontece com gente que abraça a zica e nem sabe por que esses acontecimentos lhe assombram...

Seguia sua rotina normal, saía de casa rumo à faculdade, quando foi abordada por um meliante mal intencionado na esquina:

- Oi moça, tudo bem com você?

Ivelize não sabe se acredita que é com ela, se tomou chá de cogumelo e se cheirou muito orégano na pizza de ontem a noite, então segue sem responder, como se nada tivesse acontecido.

Porém, o ameaçador cidadão lhe aborda furtivamente de forma agressiva e incisiva de jeito que ela não consegue escapar da indagação – Ei moça, você quer comprar uma prancheta?

- Vi que você tinha um tubo nas costas, estou vendendo uma prancheta A0, tá novinha; quer?

Ive se sensibilizou com o marginal. Ouviu sua história; o quanto pagou na prancheta, por que comprou aquela desgraça, quando comprou, para quem comprou e como o fez. Foi um festival sobre a prancheta.

Ive se sensibilizou tanto que, sem titubear, apertou o passo até o metrô e praticamente como uma ninja, fez de tudo para despistar o nosso terrível vilão, na fila da catraca.

Mas os esforços de nossa heroína não foram suficientes – Maradona que o diga – de repente, ele aparece logo atrás da desprotegida Ive!

- Eita, tinha te perdido de vista, bichinha!

Ambos ultrapassam a catraca, sobem a escada rolante, até que Ive se dirige ao fundo da plataforma e tenta uma tática da Al-Qaeda para se livrar de seu perseguidor:

- Tenho que ir pra frente, a escada fica pra lá! Tchau! (Muita ênfase nesse tchau!)

E Ive deu meia volta e saiu correndo como se fugisse de um leão faminto no meio do Congo.

Depois de um tempo atordoado, nosso vilão dá por si e tenta uma manobra de recuperação. Mas foi tarde demais. Ele deu de cara na porta, e Ive ficou dentro do vagão, tirando um sarro terrível do nosso pobre meliante vendedor de prancheta.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

A equação milagrosa

Nós homens passamos a vida inteira tentando compreender vocês, mulheres. Não conseguimos. Mas não conseguíamos até agora.

Conversando com amigos, uma fonte muito segura me confidenciou que historiadores gregos acharam uma equação do nosso fdp-mor que ferrou geral na sétima série, o tio Pitágoras.

Além do triângulo bem doido, esse barbudinho grego que não usava tanga e tampouco gritava “THIS IS SPARTA” criou uma equação fenomenal que só pode ser compreendida hoje, nos tempos modernos.

Essa equação foi a forma que o matemático grego encontrou de compreender as mulheres.

Segundo Pitágoras, Mulher = Tempo x Dinheiro. Se Pitágoras diz isso, quem sou eu para questionar!?

Como bons ocidentais, sabemos que tempo é dinheiro. Sob esta premissa difundida por outro barbudinho, o Tio Sam, afirmamos categoriacamente que Tempo x Dinheiro = Dinheiro².

Mas, como bons brasileiros, sabemos que dinheiro é a raiz dos problemas. Porque, se você não tem, é um problema, mas se você tem é outro problema. Então, como Dinheiro = Problema¹/² .

Substituindo os itens, Mulher = Dinheiro², logo, Mulher = (problema¹/²)².

Eu nunca fui bom em matemática, mas essa parte de cortar as potências eu sei fazer. Concluímos então, que Mulher = Problema.

Cara, isso mudou a minha vida. =P

terça-feira, 1 de abril de 2008

Sorte do dia

Mais uma vez, inspirado pelo estagiário do Google, venho a vocês como mais uma brilhante pérola do biscoito da sorte chinês sem biscoito:

Uma imaginação bem canalizada é fonte de grandes proezas


Lamber o cotovelo é uma grande proeza?

domingo, 16 de março de 2008

O circo, o picadeiro e os palhaços

Respeitável público! Senhoras e senhores, bem-vindos ao maior espetáculo da terra! É o maior quórum de palhaços do planeta! Um verdadeiro show!

E cada semana um espetáculo diferente! É precatório, irregularidades em privatizações, sanguessugas, mensalão, ONGs, compra de votos para alterar a constituição. A bola da vez é o cartão.

Neste picadeiro, quem se apresenta não é o autor do espetáculo. Os palhaços, aqui, ficam todos na platéia, sentados, inertes, esperando a próxima capa das revistas semanais, esperando que alguém faça alguma coisa.

Por falar em coisa, que coisa estrondosa esta a do cartão, não? Na fatura, até tapioca consta e quem paga é a nação. Afinal, comprar roupas, alugar carros de luxo e comer uma tapioca – já que ninguém é de ferro – são gastos essenciais para a nação.

Já que somos um circo bem organizado, um circo seguro, um circo sem analfabetismo, um circo que todas as crianças têm acesso a educação de qualidade, um circo sem preconceito, onde o judeu anda de mãos dadas com o árabe, com o japonês e com o negro, num circo onde tudo é paz, usar o cartãozinho aqui, ali ou quem sabe fazer um saque, qual é o problema? É sem maldade, não vai faltar em nenhum outro lugar!

E o que fazer quando são nossos próprios artistas que dizem se o trabalho é direito ou não? Não somos nós que decidimos se é de aplauso ou apupo, a nós resta ficar sentados, anestesiados assistindo a todo espetáculo repetitivo.

Muda apenas o slogan; em si, o cerne do show é o mesmo. É a comédia da vida privada no picadeiro público. Calhou dessa vez de a patacoada ser dos dois grandes lados.

A grande discussão do cartão – que acontece nas instâncias parlamentares – é tão relevante quanto o que seria mais pesado, um quilograma de chumbo ou um quilograma grama de algodão. É o mágico dizendo que o domador gastou duzentos mil em uma Ferrari e o domador dizendo que o mágico gastou duzentos mim em dez Corsas. Sempre fico na dúvida, algodão ou chumbo?

Em um circo que prometeu transparência, vemos gastos sigilosos, assistimos a uma disputa patética de “quem desviou menos”. São dedos apontados uns para os outros, são acusações disformes de quem não tem moral para falar de si mesmo, é o espetáculo da grande ironia dissimulada, da nossa querida tenra hipocrisia.

Mas, apesar dos pesares, o nosso circo segue em frente, cada vez melhor. Nunca antes na história desse picadeiro foram denunciados tantos trapezistas desequilibrados! Nunca antes tantos erros e tantas falhas do espetáculo foram notados! Ainda bem! Sinto-me muito mais seguro ao saber que hoje o nosso grande patrono sabe das coisas que acontecem, já que o anterior escondia por baixo do tapete e, até pouco tempo atrás, o atual sabia de nada e de nada sabia.

Nesse circo é tudo alegria, é tudo festa, é tudo pago no cartão. É quem paga a fatura? Claro que os 180 milhões de palhaços, devidamente sentados estarão também muito felizes com tão belo espetáculo, pagando a entrada e sustentando este picadeiro. O circo quem faz são os palhaços.

Estourou o limite do cartão? É culpa da insaciável vontade de gastar do mágico? Não! A culpa é de quem ostenta o nariz vermelho e está bem acomodado. Quem deu o cartão corporativo pro mágico não foi o elefante, mas sim esses gênios, esses queridos palhaços. Este é o nosso show. Este é do picadeiro o espetáculo!

terça-feira, 4 de março de 2008

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Para ela (sob influência de Allstar)

Estranho seria se eu não me apaixonasse por você
Você foi invadindo cada canto, preenchendo todo meu espaço
Em pouco tempo, eu já nem sabia mais como fugir de você
Por mais que fosse forte, como resistir aos seus belos lábios?

Se fui eu, se foi você, foram os dois num momento exato
Eu fui bobo, um tolo, medroso, um frouxo, tive medo do inevitável
Tantas chances tive, o desejo contive até o instante insustentável
Então, me surge sem jeito, um beijo doce em meio a um abraço.

Estranho seria não ter o medo de perder a sua voz num estalar opaco
Aqueles trilhos levariam você a tão longe dos meus olhos desesperados
Sedentos, famintos em você, de tocar sua face em jeito desajeitado
Mas quase sem querer, foi ser você o meu sonho raro.

Depois de horas de palavras despertas
Sussurradas incertas
Que trarão contas de telefones estratosféricas
De tantas risadas sem métrica
Só restam-me poucas palavras a expressar o tom alto
Que se não fosse você
O meu coração seria mero vácuo.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Rápida “entrevista”

Conversando com “Ives” – seu nome é Ivelize, tomei a liberdade de chamá-la assim –, uma futura arquiteta, tive uma inspiradora compilação de um bom significado de existência de uma profissão para mim intangível. Eu fiquei encantando com a definição, espero que também fiquem.

o que te motiva a querer ser uma arquiteta?

“Hum... Ser arquiteta é um dos meus maiores sonhos. Uma das maiores realizações da minha vida. Sabe o que é você poder realizar o sonho de outras pessoas? Nossa... É fantástico!

Acho um trabalho maravilhoso; transformar os sonhos das pessoas em realidade, ver aquele sorriso agradecido por você ter conseguido transformar em algo físico o que não saía do pensamento de alguém. Não acha isso fantástico?”



Sem dúvida, é algo fantástico.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Somos os safadões

Sim, nós brasileiros somos os piores de todo o mundo. Conseguimos, somos os líderes em acesso a sites pornográficos.

Segundo pesquisa da Symantec - empresa que apontou o crescimento das visitas do meu blog de forma exponencialmente assustadora após um post sobre o bolsa-estupro (!?), mas não por causa da bolsa... – 55% dos brasileiros descascam a banana frente a seu computador.

Depois de nós, aparece aquele bilhão de chineses, com 51%, uma boa idéia.

O estudo trabalhou com base em 4.687 adultos e 2.717 crianças nos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália, Alemanha, França, Brasil, China e Japão.

Depois a gente acha que leva fama à toa... ¬¬

domingo, 20 de janeiro de 2008

Mulheres e seu mau gosto do inferno.

Graças ao bom Deus mulheres têm um péssimo gosto. Elas gostam de nós, homens, de forma incompreensível.

1. Somos peludos.

2. Cheiramos mal. (suor, futebol, pular muro, essas coisas)

3. Falamos imoralidades, indecências e bobagem o tempo todo. (Só ir a um bar com os amigos e ligar o gravador por cinco minutos para comprovar)

4. Nós ficamos carecas com uma facilidade incrível.

5. Não há como evitar, as mãos sempre vão para os peitos/bunda.

6. Aniversário? Que aniversário?

7. Não, eu não quero ver a sua mãe. A menos que seja no velório... Dela.

8. Nós sempre acertamos a tampa do vaso.

9. O controle remoto é MEU!

10. Não fazemos a menor idéia do que se trata ser um cesto de roupa suja.

11. Amor, onde estão as chaves do carro?

12. Nós não estamos perdidos! (NUNCA)

13. ETC

Vejam bem, não é nada pessoal, mas vocês são meio masoquistas, né? =P

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

domingo, 13 de janeiro de 2008

Trampo

Duas horas da manhã e Rafael pula nos colchões de mola, loucaço. Enquanto isso, Felipe está na banheira. Eu, com um laptop, escrevendo o último post.

Isto é apenas um pequeno retrato do que eram as noites dessa semana, enquanto enfrentávamos o cárcere-privado do trabalho bem remunerado.

Então, em outra noite, movido pela falta do que fazer, Rafael liga na recepção.

- Alo, boa noite.

- Boa noite.

- Sabe, é que acima do espelho, do lado do ar-condicionado, há uma luz verde, outra vermelha, num troço preto e também outro troço branco. Velho, que porra é essa?

- Não sei, senhor.

- É?

- É.

- Tá certo. Valeu


Desliga.

E disca outra vez.

- Oi, é da governância?

- Sim, senhor.

- Você poderia trazer 4 cocas para o 104?

- Sim, senhor.

- Tem mais uma coisa.

- Sim?

- Sabe, é que acima do espelho, do lado do ar-condicionado, há uma luz verde, outra vermelha, num troço preto e também outro troço branco. Velho, que porra é essa?

- É apenas um ponto de referência. Se acabasse a luz, o senhor teria como se locomover no quarto. Porém, são desnecessárias, pois temos um gerador próprio.

- A ta. Valeu.

Velho, esses dias vão ficar na minha memória pra sempre. Nem o Alzheimer os tirará!

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Dia na Índia

Minha avó adora me levar a médicos, consultas e afins. Hoje, foi mais um típico dia desses acontecimentos nefastos, dias que ocorrem as visitas aos nossos queridos açougueiros que levaram 10 anos para aprender a esquecer tesouras nos outros.

Minha avó, querendo dizer alguma coisa que me convencesse de que não seria ruim/doloroso/deprimente, disse:

“Não é um médico igual aos outros, você vai ver, é diferente!”

Realmente. Porém essa diferença que ela falava era por ele ser Indiano. Isto mesmo, o cidadão nasceu lá na Ásia e veio aqui ser médico.

Ou seja, já que o médico é indiano, não pega nada. Adoro a lógica da minha vó. ¬¬

Para minha sorte ou azar, ainda não sei, ele não tem bisturi. Ele utiliza algo ainda pior, chazinhos e ervas...

Vejamos até onde irá a minha sanidade mental com o início desse tratamento.