sexta-feira, 30 de outubro de 2009
A Puta da Uniban
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Só não roube sua ex-mulher
Era uma tarde como outra qualquer, para um desempregado. Meu emprego se foi com a desculpa de sempre; a tal crise econômica, corte de custos, a necessidade de enxugar a folha de pagamento.
Normalmente, perder um emprego não é o fim do mundo. É apenas um saco. São mais preocupações, ansiedades, medos e angústias para colecionar. Até que se encontre um novo emprego para se estressar.
Porém, para alguém que não possuía vinculo empregatício formal – aquelas bobagens que a gente faz para tentar manter seu emprego em uma crise e lhe faz a presa mais fácil na seguinte – ser despedido é como naufragar sozinho no meio do triângulo das bermudas.
Não pensava que, de todos os meus credores, minha ex-mulher seria a mais voraz e cruel. Sem renda, sem seguro desemprego, sem seguro e sem poder pagar a pensão de meus dois filhos. Até a companhia telefônica seria mais compreensível, mas uma ex-esposa não teria piedade.
Tudo bem que a gente faz umas bobagens na vida. Não vou negar que o divórcio foi por minha culpa. Ela tem motivo para estar ressentida, mas não esperava que fosse vingativa.
Engraçado o dia que fui preso. Não fazia idéia do motivo, até que meus carrascos me contaram suas razões. Os arautos da justiça estão atrás do cruel caloteiro das pensões. Afinal, por que correr atrás de quem cometeu um brutal e sanguinolento assassinato, se os terríveis não pagadores de pensão estão a solta!? E eu pensava que o SPC seria meu maior problema…
Não sabia se me indignava ou ria. Era eu tão perigoso para me algemarem? Que risco eu apresentava à sociedade? Qual havia sido meu crime, ser demitido? Minha vontade era chutar o banco do passageiro da viatura. O que de pior poderia me acontecer? Já estava preso por um dos motivos mais ridículos, qual seria o problema de arranjar um de verdade?
Aquelas algemas me irritavam. Eu sempre vi na tevê aqueles bandidos sem rancor algemados. Só de ver alguém de algema eu pensava mal da pessoa. Antes disso, eu pensava que, se estava de algema, o cara estava errado.
Quando antes eu poderia imaginar que por essas bobagens colocariam algemas em cidadãos de bem? Eu sempre paguei meus impostos, nunca cometi crime nenhum. Está bem; ás vezes uma ou outra multa de trânsito, mas isso não é exatamente colocar a vida dos outros em risco, não é?
Ao adentrar a minha cela, senti-me como um cordeiro entregue aos leões. Eu era o almoço após sete dias de jejum.
Por sorte, na delegacia dificilmente eles colocam caras como eu com os homicidas. Claro, os homicidas que eles pegaram cometendo um homicídio. Mas ao meu lado, três rapazes, por volta de 19 anos, que alegavam ser apenas usuários de 900 gramas de cocaína. Porém, ao cair da noite, contavam todos os passos, pontos e lugares para se conseguir drogas. Eu, um pai, um cidadão que nunca havia colocado um cigarro na boca, já sabia como conseguir a droga que quisesse, pelo preço mais barato, com o irmão mais “firmeza”.
Foram três dias até que meu irmão conseguisse regularizar a situação. Se eu fosse patrão, tivesse advogado, tenho certeza, nem teria que dormir na cadeia. Mas a gente faz o que nesse Brasil? Não dá para fazer muito, mas uma coisa eu percebi. Você pode dar calote em qualquer um, desviar verbas públicas e, se for esperto, roubar. Mas não pague sua ex-mulher e… eu garanto; é fatal.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
A dois passos do fim do Estado laico
Hoje nos deparamos com um dos acordos mais perversos, ideologicamente falando. Acertado pelo Vaticano e o Poder executivo do Brasil, a instituição de ensino religioso nas escolas públicas é um ataque a liberdade individual.
O acordo prevê que a disciplina fará parte do currículo base de formação.
É completamente compreensível que instituições confeccionais tenham em sua grade aulas de ensino religioso, por sua ligação direta e por terem como objetivo atender aos membros de uma instituição religiosa
Neste molde, ou as aulas de ensino religioso não passaram de desperdício de horas aulas ou não passará de mera doutrinação religiosa da Igreja Católica Apostólica Romana.
O Brasil não possui religião oficial. O Estado brasileiro se define como laico. Ou seja, um Estado que permite e garante o livre pensamento e a liberdade religiosa. Adotar o ensino religioso seria privilegiar uma religião em especial, depreciando as demais religiões – sejam cristãs ou não –, e até mesmo os não religiosos, os ateus e agnósticos.
Se isto fosse uma disciplina extra-curricular, fora da grade de aulas, uma opção para o aluno que não o expusesse, seria uma iniciativa até válida. Mas da forma como está sendo feito, não passará de um golpe numa das maiores conquistas históricas deste país como nação.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Absurdo
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Habemus Obama
O sentimento estampado nesta parcela da população que elegeu e se emocionou com Barack Obama me lembra muito a parcela que elegeu Lula. Ambos têm uma trajetória contextual muito parecida.
Ambos são populares. São líderes carismáticos, mais do que propostas, ambos carregam um simbolismo de mudanças. Mesmo que estas não sejam aplicadas, o eleitor enxerga nessas personagens históricas um ícone de transformação da realidade.
Ambos embarcam no poder após um período turbulento de seus antecessores. Lula pegou um governo FHC destroçado por crises internacionais e corrupção dos alicerces governamentais. O sentimento de frustração e insatisfação com o governo tucano possibilitou que o PT alçasse o poder. “A Esperança venceria o medo”. Principalmente o da Regina Duarte.
Obama convive com um governo Bush completamente destroçado. Guerra do Iraque, crise dos alimentos, subida do preço dos combustíveis, problemas ambientais e a crise imobiliária nos tempos de campanha. Tudo isso impulsionou o governo de George Jr. para o limbo.
Foram oito anos de medo nos Estados Unidos. O discurso antiterrorismo apavorava a população. E nestas eleições, os americanos pediram uma mudança.
Sinceramente, não acredito que essa mudança seja tão profunda. E creio que o mundo se decepcionará com Obama e os americanos poderão ter alguns de seus desejos satisfeitos. Porém, o discurso de Obama sobre mudar o mundo se restringe ao mundinho deles. Lembre-se que a Geografia deles, a capital do Brasil é Buenos Aires. Ele só sabem que Cuba é ali do lado. E duvido que isso vá mudar.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Um pouco do mundo da música
terça-feira, 12 de agosto de 2008
O nosso grande palhaço Bush
Mas logo ao lado de uma foto da judoca estava a melhor piada do mês.
Em matéria que falava da recusa russa em aceitar a trégua proposta pelo G7, vem a brilhante frase do excelentíssimo nariz vermelho George W. Bush.
Folha de S. Paulo
Nosso querido faz-me-rir-mor, o campeão mundial em invasão injustificada resolveu bancar o santo e criticar a Rússia pela ação contra a Geórgia. A Rússia decidiu interferir no conflito com os separatistas da Ossétia do Sul, muitos moradores da região possuem cidadania russa.Não estabelecendo juízo de valor algum neste post sobre a situação da Ossétia do Sul e sobre o mote russo de invasão, tão legítimo quanto um produto paraguaio, Bush me fez cair em gargalhadas.
Bush disse que a Rússia invadiu um estado soberano e ameaça um governo democraticamente eleito.
“uma ação destas é inaceitável no século XXI” termina o atual presidente dos Estados Unidos.
É hilário. Então, se uma maioria votou, uma situação de opressão é justificável? Então a liberdade é condicionada a vontade do maior grupo? Então, as condições do Estado de Direito são dependentes de estarem em acordo com o impulso de uma massa populacional?
Se for assim Bush, prepare-se, pois a China é a mais nova dona do mundo.
As minorias têm o direito de existência e ter a sua liberdade preservada é um meio de preservar a democracia. Mas não a democracia no sentido de uma maioria e sim a existência de pluralidade, diversidade, multiplicidade. É necessário preservar o direito de ser diferente, é preciso existir coexistência.
Infelizmente, para Bush só existe o sistema democrático americano e aqueles que não se classificam em sua noção de Estado Soberano, com um representante eleito por um sistema de pleito democrático – mesmo que fosse este responsável por terríveis massacres como o é Mikhail Saakashvili, presidente da Geórgia – torna o processo justo e a democracia real.
É necessário se repensar os critérios políticos que legitimam um governo e as condições de uma intervenção militar.
Aliás, não é contraditória essa Euro – Ásia? Une-se por blocos econômicos e com abertura de fronteiras, livre passagem de pessoas e comércio livre, mas ainda assim se vê recheada de grupos separatistas que tentam se separar daquilo que está sendo unificado e que os engloba.
Mundo louco em que vivemos!? O país mais poderoso do mundo com um presidente hipócrita/piadista e o continente mais influente com tato contraditório para lidar com uma questão que põe em prova sua coerência unificadora.
Os interesses permeiam o caráter.
domingo, 16 de março de 2008
O circo, o picadeiro e os palhaços
E cada semana um espetáculo diferente! É precatório, irregularidades em privatizações, sanguessugas, mensalão, ONGs, compra de votos para alterar a constituição. A bola da vez é o cartão.
Neste picadeiro, quem se apresenta não é o autor do espetáculo. Os palhaços, aqui, ficam todos na platéia, sentados, inertes, esperando a próxima capa das revistas semanais, esperando que alguém faça alguma coisa.
Por falar em coisa, que coisa estrondosa esta a do cartão, não? Na fatura, até tapioca consta e quem paga é a nação. Afinal, comprar roupas, alugar carros de luxo e comer uma tapioca – já que ninguém é de ferro – são gastos essenciais para a nação.
Já que somos um circo bem organizado, um circo seguro, um circo sem analfabetismo, um circo que todas as crianças têm acesso a educação de qualidade, um circo sem preconceito, onde o judeu anda de mãos dadas com o árabe, com o japonês e com o negro, num circo onde tudo é paz, usar o cartãozinho aqui, ali ou quem sabe fazer um saque, qual é o problema? É sem maldade, não vai faltar em nenhum outro lugar!
E o que fazer quando são nossos próprios artistas que dizem se o trabalho é direito ou não? Não somos nós que decidimos se é de aplauso ou apupo, a nós resta ficar sentados, anestesiados assistindo a todo espetáculo repetitivo.
Muda apenas o slogan; em si, o cerne do show é o mesmo. É a comédia da vida privada no picadeiro público. Calhou dessa vez de a patacoada ser dos dois grandes lados.
A grande discussão do cartão – que acontece nas instâncias parlamentares – é tão relevante quanto o que seria mais pesado, um quilograma de chumbo ou um quilograma grama de algodão. É o mágico dizendo que o domador gastou duzentos mil em uma Ferrari e o domador dizendo que o mágico gastou duzentos mim em dez Corsas. Sempre fico na dúvida, algodão ou chumbo?
Em um circo que prometeu transparência, vemos gastos sigilosos, assistimos a uma disputa patética de “quem desviou menos”. São dedos apontados uns para os outros, são acusações disformes de quem não tem moral para falar de si mesmo, é o espetáculo da grande ironia dissimulada, da nossa querida tenra hipocrisia.
Mas, apesar dos pesares, o nosso circo segue em frente, cada vez melhor. Nunca antes na história desse picadeiro foram denunciados tantos trapezistas desequilibrados! Nunca antes tantos erros e tantas falhas do espetáculo foram notados! Ainda bem! Sinto-me muito mais seguro ao saber que hoje o nosso grande patrono sabe das coisas que acontecem, já que o anterior escondia por baixo do tapete e, até pouco tempo atrás, o atual sabia de nada e de nada sabia.
Nesse circo é tudo alegria, é tudo festa, é tudo pago no cartão. É quem paga a fatura? Claro que os 180 milhões de palhaços, devidamente sentados estarão também muito felizes com tão belo espetáculo, pagando a entrada e sustentando este picadeiro. O circo quem faz são os palhaços.
Estourou o limite do cartão? É culpa da insaciável vontade de gastar do mágico? Não! A culpa é de quem ostenta o nariz vermelho e está bem acomodado. Quem deu o cartão corporativo pro mágico não foi o elefante, mas sim esses gênios, esses queridos palhaços. Este é o nosso show. Este é do picadeiro o espetáculo!
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Rápida “entrevista”
Acho um trabalho maravilhoso; transformar os sonhos das pessoas em realidade, ver aquele sorriso agradecido por você ter conseguido transformar em algo físico o que não saía do pensamento de alguém. Não acha isso fantástico?”
Sem dúvida, é algo fantástico.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Duelo de paradigmas
Entra-se em um debate ideológico, social e arriscaria dizer inconsciente, quem é a melhor escolha para comandar a nação mais poderosa do planeta; um homem negro ou uma mulher branca?
Ambas as opções chocam-se com paradigmas. Estaria o conservador eleitor estadunidense mais preparado para ser regido por um negro? No país da Ku Klux Klan? Ou então o machismo inato na cultura protestante que é entrelaçada com a mentalidade deste mesmo eleitor teria sido superada para ver uma mulher no comando?
Caso a vitória seja Democrata nas próximas eleições, as possibilidades são intrigantes.
Caso o próximo presidente seja Barack Obama, será a primeira oportunidade que uma minoria ascenderá ao poder máximo no país, mesmo que Obama seja mestiço, tem uma representatividade muito grande. É uma nova linha de pensamento do partido Democrata, é visto como um político inovador, moderno. A vitória dele teria o mesmo peso história que a eleição de Lula no Brasil, onde a representação das classes menos favorecidas ascenderia ao poder máximo da nação.
Já Hillary Clinton representaria a primeira mulher a comandar a nação. Mais do que testa-de-ferro do esposo como acontece na Argentina, Hillary teria luz própria e seria a máxima representação da revolução feminista e a efetiva integração das mulheres ao sistema político.
De não ter direito ao voto à presidente da nação. Esta frase pode servir tanto para negros como mulheres.
Confesso ter mais simpatia por Obama, não por ser ele um homem, tampouco negro, mas sim pela antipatia que guardo por Hillary Clinton, onde creio ser apenas mais do mesmo politicamente. Gosto de mudanças e Obama parece representar mudanças políticas mais drásticas.
No plano ideológico, os dois têm a mesma representatividade. Seja lá qual for a decisão, essas eleições serão especiais.
Somos os safadões
Segundo pesquisa da Symantec - empresa que apontou o crescimento das visitas do meu blog de forma exponencialmente assustadora após um post sobre o bolsa-estupro (!?), mas não por causa da bolsa... – 55% dos brasileiros descascam a banana frente a seu computador.
Depois de nós, aparece aquele bilhão de chineses, com 51%, uma boa idéia.
O estudo trabalhou com base em 4.687 adultos e 2.717 crianças nos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália, Alemanha, França, Brasil, China e Japão.
Depois a gente acha que leva fama à toa... ¬¬
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Quem você chamaria para negociar?
Quem liderava as respostas espontâneas era o Deputado estadual Wagner Montes. A questão da violência é o que pauta a política no Rio, por mais que segurança seja responsabilidade do governo estadual.
O discurso de que “lugar de bandido é na cadeia” é o grande mote de Montes. Porém, após serem expostos às imagens do filme “Ônibus 174” de Padilha e indagados sobre qual político fosse o responsável pela negociação, Montes perdeu mais que dois terços de sua intenção de voto.
Isto apenas mostra como brasileiro e urna não combinam. Você pode até dizer que administrar uma cidade e negociar um seqüestro são coisas distintas que exigem características distintas.
Porém, eu discordo. São cargos, funções de confiança. Confiamos nossas vidas nas mãos dos administradores, pois são eles que têm a responsabilidade de gerir a máquina pública. São eles que têm a responsabilidade de evitar os desastres como enchentes, a criminalidade, a má formação de nossas crianças, a falta de oportunidade, a má qualidade do sistema público de saúde.
Somos vítimas de um grupo de seqüestradores; desigualdade social, violência, má conservação do espaço público, sistema de ensino público precário, sistema de saúde sucateado, caos urbano.
E você vota em alguém cujo não confiaria a negociação com o seqüestrador?
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Boicotar Beijing?
Não sei qual é o sentido de boicotar Beijing, não sei se é inveja ou recalque, pois os argumentos são hipócritas.
A história recente da China é sangrenta, ditatorial? É. Porém, a China tem uma história milenar, é uma civilização que existe antes da ocidental, com traços culturais muito fortes e presentes e uma forte resistência a influência cultural estrangeira.
Não que os caracteres ocidentais não tenham invadido a China, eles foram incorporados e adaptados a cultura Chinesa, que por ainda sofrer um processo de abertura econômica, ainda não sofreu a mesma invasão cultural que o Japão sofreu, por exemplo.
Muitos querem fazer essa criancice por causa do regime comunista chinês. Sistema pseudocomunista, para sermos sinceros, já que a economia lá não é nada comunista, apenas o sistema político que continua aos moldes soviéticos.
Muitos falam das atrocidades que os chineses fazem com os animais, como comer cachorro. Aqui a gente faz coisa pior com nossa fauna. Extinguimos mais espécies que eles, então, vamos deixar de hipocrisia... Se for boicotar Beijing, por que não boicotou o Pan do Rio?
Muitos falam da desigualdade, de uma China aberta ao capitalismo no litoral e uma China miserável no interior do país. Acontece que o percentual de concentração de renda é o mesmo do que o do Brasil, 90% do PIB do país está concentrado em 10% da população. Como aqui nós temos menos gente, temos menos miseráveis. Mas a realidade é idêntica.
Dizem que eles vivem uma ditadura corrupta. Nós vivemos uma democracia prostituída. Lá, só há um partido. Aqui, todos são igualmente desprezíveis.
Quer saber? Se quer boicotar alguma coisa, boicote o Brasil, a China está muito longe para se interessar pelo que você irá fazer com o seu televisor. E ainda sim, quem somos nós para fazer dos cascos do cavalo do outro quando os cascos do nosso cavalo estão uma desgraça que só...
Eu vou assistir a estas olimpíadas, logo eu que detesto olimpíadas, só para ver como será bonito e importante para a China. Tenho certeza que será um marco na história do país, nunca tantas idéias, tantas culturas, tanta diversidade terá passado por lá. E sem imposição, de forma natural, onde novas perspectivas se apresentarão e outras possibilidades se formarão.
Que o esporte faça nessas Olimpíadas o que sempre fez; leve uma mensagem de paz e igualdade.
domingo, 16 de dezembro de 2007
Bolsa-estupro
Os deputados Henrique Afonso pelo PT do Acre e Jusmari Oliveira do PR baiano defendo o projeto do Bolsa-estupro.
“Se no futuro a mulher – estuprada – se casa e tem outros filhos, o filho do estupro costuma ser o preferido. As mães se apegam de modo especial aos filhos que lhe deram maior trabalho”
Eu sei, meu amigo leitor, isto é bizarro. Não sei em que os deputados se baseiam para dizer tal coisa, tampouco acho isto lógico. Então quer dizer que as mães amam mais os filhos problemáticos em relação aos obedientes?
Agora, em que isto justifica a destinação de verbas a serem dadas a essas mães? Porque amam mais um filho do que os outros?
Se o projeto tivesse o objetivo de apoiar, dar assistência às mulheres que foram vítimas de violência sexual, seria algo extremamente positivo. Porém, não parece nem de perto o objetivo.
Isto tem cara de politicagem, mas um cabresto criado para tentar garantir votos. Assistencialismo, no Brasil, parece não ter o objetivo de resolver os problemas sociais, mas sim um papel narcotizante.
São tantas bolsas que a corrupção vira só um detalhe. Todos são corruptos, mas este deputado/senador me deu o bolsa qualquer coisa, então ele fez alguma coisa por mim.
O Brasil já tem bolsa demais. O país precisa, hoje, de seriedade. Projetos relevantes e consciência por parte do legislativo que gasta muito, muito dinheiro que poderia ser empregado em áreas muito mais importantes que nossos queridos representantes e seus bolsos.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Como ler?
Charles Baudelaire, in "Diário Íntimo"
Todos os dias, ao abrir o jornal ou ligar a tevê e sintonizar no noticiário disponho-me a ser bombardeado pelas mais diversas notícias.
São tragédias, factóides repetitivos, o mesmo enredo com personagens e cenários diferentes.
Quantos morreram hoje? Tráfico? Bala-perdida? Estupro? Atropelamento? Acidente aéreo? Passional? Em série? Qual vai ser a pedida de hoje?
E isto passa aos nossos olhos de forma habitual, comum, sem causar espanto, reação, revolta. Estamos anestesiados, inertes ao caos, apenas esperando a nossa vez de estampar o jornal.
Uma das coisas que mais me irrita é a técnica de anestesia que o Jornalismo utiliza. Mescla notícias pesadas com as “light”, para amenizar, não deixar o noticiário pesado, para que o “Homer Simpson” possa dormir feliz.
Primeiro o seqüestro, logo em seguida o futebol e boa noite.
“Mas sempre qualquer coisa nos ilude, sempre qualquer análise se nos embota, sempre a verdade, ainda que falsa, está além da outra esquina. E é isto que cansa mais que a vida, quando ela cansa, e que o conhecimento e meditação dela, que nunca deixam de cansar.”
Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Por que sou favorável a prorrogação da CPMF

O brasileiro paga muito imposto. João da Silva, personagem fictício que criei, recebe R$ 4.500,00 por mês, é funcionário de uma empresa privada, mora em um apartamento de R$ 70.000,00 e tem um Tempra 97, no valor de R$ 10.000,00.
Todo mês, João gasta R$ 600,00 com supermercado, R$ 350,00 com o condomínio, R$ 170,00 com energia elétrica e R$ 130,00 com telefonia.
Por ter dois filhos com sua atual esposa, João gasta R$ 450,00 com plano de saúde para ele e seus três dependentes. São mais R$ 970,00 com a mensalidade do colégio dos filhos. Ainda gasta R$ 150,00 com a perua escolar.
Com o seguro, se vai mais R$ 120,00 todo mês. Somado ao combustível, a manutenção do carro sai todo mês por R$ 270,00.
Gasta com vestuário, uma média de R$ 300,00 mensais. Além de gastos adicionais pessoais que se somam e dão R$ 800,00.
95,74% do valor que João recebe, exatamente R$ 4.308,40, são repassados em impostos para o governo. Isto, contando os encargos que a empresa que João trabalha tem que arcar e sem contar a CPMF.
Deveria ser o suficiente para que o governo tem a fazer. Concordo com isto, porém discordo que seja a CPMF o imposto cruel e implacável para com os brasileiros.
A CPMF taxa de forma proporcional a riqueza, não são valores fixos cobrados nos produtos, nem relativo ao bem. É um imposto que tira 0,38% do X que o rico patrão de João movimenta e 0,38% do Y do próprio João.
Se o patrão move 1.000.000,00, terá de pagar R$ 3.800,00 de CPMF. Já João, se movimentar seus R$ 100,00, pagará R$ 0,38. Quem mais paga é quem mais tem.
Sem dúvida o R$ 0,38 faz mais falta para João do que o R$ 3.800,00 faz para seu chefe, porém, o imposto é justo, pois ambos cederam a mesma coisa relativo ao que têm.
Muitos impostos poderiam ser descontados, diminuídos e até extintos, porém, a CPMF não. Além de não ser possível a sonegação, é um imposto que impacta diretamente na distribuição de renda, de forma igualitária e justa na cobrança. O que se deve discutir é a forma como este dinheiro é aplicado.
Neste ponto, entram a hipocrisia Petista, Tucana e do Democratas, antigo PFL. Petistas eram contrários ao imposto quando foi criado em 1993 de forma provisória para aumentar os recursos do governo para o ano de 1994.
O imposto sofreu uma série de mudanças, tornou-se o que hoje nós conhecemos e tem, de forma teórica, a intenção de levantar recursos para saúde e combate e erradicação da pobreza.
PT admitiu que é impossível governar o país sem a CPMF. O PSDB, pai da criança, acha que o imposto do cheque não é essencial hoje e que o PT gasta de mais.
O PT gasta muito, verdade.
Governar sem a CPMF é impossível, também é verdade.
Porém, não se coloca em pauta a principal questão sobre este imposto – a justiça. Por ser um imposto proporcional, é o mais adequado para a realização da distribuição de renda e para a taxação pública.
Quem teme a CPMF é quem sonega imposto, quem não gosta de pagar os R$ 3.800,00. E é exatamente este povo que o Democratas defende, é desta classe social que os interesses se assemelham aos democratas.
Aqueles que acham que o Brasil tem estrutura para viver num liberalismo econômico onde os impostos são mínimos e o Estado praticamente não participa da sociedade de forma incisiva.
O brasileiro paga muito imposto, mas nem sabe qual é o imposto que paga. CPMF é clara, direta, objetiva, transparente. Agora, imposto em alimentos, automóveis, imóveis, bens de consumo em geral, pouco se sabe quais e quantos são. Pagamos muito e atacam o cara errado.
Esta guerra não passa de politicagem, uma politicagem que não levará a lugar algum. Aprovar ou não a CPMF é apenas uma queda-de-braço, uma birra entre crianças mimadas que nem se importam com o objeto em questão. São todos uns hipócritas, incapazes de enxergar a realidade da questão.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Humanização
Eu já gostava de Cristovam Buarque, senador pelo PDT. Agora, gosto ainda mais. Seu projeto, de que os filhos de políticos eleitos tenham que ter sua formação em colégio públicos durante os mandados dos pais, é fantástico.
Não vejo pelo aspecto de que vá trazer alguma melhora às escolas públicas por isto. Mas por ser um tapa na clara na “classe” política. Filho de político algum estuda em colégio ruim, nem médio. São os melhores, os mais caros.
Mais do que obrigar ao nosso representante a pensar na qualidade do ensino, este projeto forçaria o contato da família do representante com a população.
Os filhos dos políticos estudariam com os filhos dos eleitores, seriam colegas, conviveriam, partilhariam da mesma realidade. Os responsáveis freqüentariam as mesmas reuniões de pais e mestres e teriam as mesmas preocupações para com a representatividade que esta unidade de ensino teria para com a comunidade.
Esta medida obrigaria aos representantes a partilharem da realidade dos seus eleitores, coisa que neste país é das mais raras.
O senador tem uma gama de projetos que influem diretamente na qualidade de ensino. Porém este, em especial, implica diretamente em questões éticas e morais. Esta ação tiraria a classe política do pedestal de Brasília e humanizaria um pouco mais este antro de perdição que é o congresso.
Já vi o argumento que este projeto é antidemocrático, por não permitir a livre escolha de onde alguém irá matricular seu filho, além de vários mecanismos que os políticos têm para burlar o sistema.
Antidemocrático, creio eu, ser a realidade política brasileira, onde ricos vivem de uma realidade, população de outra e os políticos – em sua maioria, não totalidade – assistem a tudo rindo.
Burlar o sistema, os políticos sempre burlaram e nem por isso o sistema deixa de existir, o que deve ser feito é um aperfeiçoamento do sistema, uma ação mais coerente e honesta por parte dos media e a punição exemplar daqueles que transgredirem as regras do jogo.
sábado, 24 de novembro de 2007
Constatação
Porém, num momento de distração, foi abordado por um assaltante, reagiu, tentou fugir e foi baleado.
O tiro atingiu o crânio, levando-o ao falecimento instantâneo. Era um jovem de 21 anos que teve de seu corpo esvaziada a vida que o enchia por completo.
Esta notícia dificilmente terá visibilidade fora do local do acontecimento.
Em São Paulo isto seria olhado com desdém tremendo. Apenas mais um morto, após um assalto.
Coisa rotineira, morre gente todo dia, morte violenta, acidente, premeditado, culposo, doloso, doença, acaso, lugar errado, hora errada.
A maioria não é considerada merecedora de uma mísera frase no jornal. Muitos morrem, passam, se vão e nem vemos quem foi, quem era, o por que foi.
O triste é, as pessoas passam, morrem, muitas e nós nem conseguimos sentir a falta, a perda, a ida. O triste é morrer e nem ter uma lágrima caída. O triste é estar anestesiado frente a perda de uma vida.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Onde estão as rédeas?
Hélio Lopes, reside no Rio de Janeiro. Sua carta à revista Época foi considerada a melhor da semana.
“Dou meu apoio ao governador Sérgio Cabral. Se o controle de natalidade pregado décadas atrás por Roberto Campos tivesse sido feito, hoje teríamos milhões de miseráveis a menos”
Hélio é mais um preguiçoso que culpa o povo pelos problemas. No pensamento dele, o problema são as pessoas, pessoas desnecessárias. O problema é gente.
Realmente, o problema é gente. Gente fascista, com um pensamento discriminatório, autoritário, criminoso. O problema é gente como este sr. Lopes.
No dia que as pessoas mirarem nas causas e não nas conseqüências num momento de enfrentar uma dificuldade, um problema, teremos alguma possibilidade de solução.
Mas enquanto houver Sérgios Cabral, Hélios Lopes e Reinaldos Azevedo, continuaremos a ser um país de carroças à frente dos bois...
domingo, 4 de novembro de 2007
E o aborto?
Alguns movimentos feministas dizem que a ilegalidade, a proibição são uma forma de cerceamento, limitação de liberdade da mulher para com seu próprio por corpo.
Outros vêem o aborto como uma forma imediata de conter o inchaço populacional nas aéreas com menor desenvolvimento urbano, onde há pobreza e violência.
Como já debatido em um texto mais antigo, o aborto não é a solução para nenhum de nossos problemas, ele apenas combate a conseqüência, não age diretamente na causa.
Pessoalmente, considero a legalização completa do aborto uma idéia tão violenta e criminosa quanto à de esterilização em massa.
Que liberdade é esta onde não se preserva o direito de existir? Alguém só seria um individuo após sair do ventre? Feto é apenas um bolo de células na barriga de uma mulher?
Outro dia fui perguntado em quais casos achava aceitável o aborto. Disse que apenas em casos onde não haveria possibilidade de vida para o feto, que se colocasse em risco a vida da gestante e de estupro.
Foi-me colocado por pelo colega que não haveria diferença entre uma criança que nasce num lar desestruturado, numa família paupérrima onde não terá oportunidade e uma criança que nasça de um estupro.
Creio serem situações completamente diferentes. Alguém não irá ter valores, não poderá ser um bom cidadão só porque nasce em condições adversas? Então o individuo é apenas fruto do meio? Então, a ausência de possibilidades momentâneas da mãe justifica a morte dessa criança? Então, porque não matam também as crianças de rua, mendigos?
Por que não jogam uma bomba atômica na favela? Afinal, quem está lá não tem condições de vida, então você os mata para resolver o problema...
Creio que a tênue linha que destrói qualquer possibilidade de comparação – comparação que eu achei absurda – entre quem nasce em baixas condições sócio-econômicas a quem nasça de uma violência sexual. A mãe, no primeiro caso, teve a escolha.
A mãe pode superar o trauma, ter e criar o filho. Pode até ser uma boa mãe, mas apenas com forte apoio da sociedade. Mas é muito querer que uma mulher faça isto. É muito querer que uma mulher acorde todos os dias de sua vida e olhe para seu filho, fruto de uma violência que sofreu. Será um déjà vu diário.
Não é uma questão de se é o corpo da mãe, se a criança terá condições de ser um individuo sociável ou não, mas se a mãe teve a oportunidade de escolher ter a relação sexual ou não. Decidir fazê-lo é estar aberto as possibilidades que esta ato pode implicar.
Querer abortar uma criança tendo feito a escolha de ter a relação sexual é querer fugir das conseqüências de seus atos. É querer que outra pessoa pague pelos seus atos. É limpar suas mãos sujas por ter feito a escolha no momento errado com o sangue inocente. Sangue de seu próprio filho.
