sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Novos caminhos, novos ares

O mundo mudou. Especialmente o meu mundo. Tenho carimbado meu diploma, livrei-me de uma carga de trabalho a qual não imaginava poder existir.

Agora, esse blog está em cheque. Ele sofreu um hiato dos mais ferozes. Eu refleti muito sobre o conteúdo dele e cheguei a conclusão que eu nunca consegui desenvolver uma linha, um objetivo, um foco. Isso o tornou uma salada de fruta amarga.

Ninguém sabe o que vai ler aqui. Eu escrevia para mim. E, hoje, quero escrever para qualquer um que não seja eu. Por isso, estou criando novos, para substituí-lo gradualmente.

O primeiro é o A se esquecer. O assunto dele vai ser de relevância política, reflexões de assuntos que interessam os demais seres humanos.

O segundo é o Estares. Será um blog voltado para jornalismo literário.

O terceiro e último será Letras Fixas. É um blog de literatura ficcional, poesia, prosa, contos, crônicas.

Aqueles que ainda entram aqui, sintam-se convidados a visitar minhas novas casas!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Frase solta

"Capitalismo foi uma bobagem que inventaram para que idiotas que não sabem fazer absolutamente nada possam ganhar mais dinheiro do que aqueles que sabem fazer algo realmente útil"

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A Puta da Uniban


Que o jovem universitário de hoje beira a acefalia, não é novidade nenhum. No próprio Mackenzie, é enorme o volume de filhinhos de papai degustando um cigarro de maconha, recostados nos murros dos diretórios acadêmicos em horário de aula.

Se o nível numa faculdade razoavelmente conceituada está neste patamar, na Uniban, não poderia ser diferente ou pior.

Em um local de veria ser um centro de universalização do conhecimento, pois é esse o sentido de uma universidade, alunos se mostram como animais. Estes que deveriam representar uma elite intelectualizada, com alto grau de civilidade e postura, se mostraram não mais que animais. Urravam por sangue, por um espetáculo. Divertiam-se em uma humilhação pública de uma mulher, uma colega.

Por mais inapropriada que fosse a roupa ou que pudessem ser seus atos, nada justifica este comportamento.

Palavras ofensivas normalmente já são exageros impensados. Gritos ofensivos são a pura expressão do animalesco. É triste ver uma gama de centenas de alunos agir de tal forma. É patético.

Por mais verdade que pudesse haver nas palavras de qualquer um ali, eram completamente desnecessárias. Certas verdades ficam melhores quando guardadas para si. E nem isso sabemos se é ou não o caso.

Então, fico com as sábias palavras deste vídeo, que explora de forma genial o assunto.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Falta pouco

Poucas semanas me separam do fim de uma árdua dedicação a assuntos profissionais e acadêmicos. Não que estudo e trabalho passem a ser insignificantes a partir do dia 9 de novembro. Mas qualquer trabalho de conclusão exige dedicação especial, e este ano foi de mudanças radicais em minha vida.

Responsabilidades... Meu mundo mudou.

Nos primeiros posts deste blog - quando ele ainda era completamente descompromissado, por causa dos outros que eu possuía -, eu postava sobre a minha busca por alguém e do novo desafio que era fazer-me ser parte de um novo ambiente, o universitário.

Nessas próximas semanas eu fecho a minha passagem na vida estudantil, por algum tempo.

Este ano me casei, tornei-me pai... Conheci pessoas dos mais variados tipos e entrevistei das mais controversas. É outro início.

Em breve, após o dia 9 de novembro, voltarei a escrever. Escrever para mim, escrever meus telegramas a ninguém.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Equilíbrio - A grande questão

Conversando com meus botões, vi-me com uma conclusão que deveria ser das mais óbvias: O grande problema do mundo é o equilíbrio - ninguém o tem.

Sempre pendemos em uma bipolaridade, estamos em uma cultura global que é maniqueísta. Sempre pendemos para um lado.

Por muito tempo, o mundo se dividiu em dois sistemas, comunista e capitalista.

O comunismo, visava alcançar um sociedade onde o coletivo imperasse, para que todos tivessem tratamentos iguais por parte do Estado e da sociedade. Tal tentativa não fora bem sucedida.

O capitalismo tem em seu liberalismo o ideal do individualismo. É muito ismo, sem dúvida, mas a ênfase no individuo e o abandono do coletivo é o que gera as mazelas de nossa sociedade atual. É isso que cria as falhas sociais como miséria, pobreza, violência e desigualdade. Outro sistema que não é bem sucedido.

O grande problema dos ideais humanos é que eles são focados e um único ponto, pendem a um único extremo, não detém equilíbrio.

Da mesma forma, nosso comportamento espiritual. Ou somos liberais ou somos conservadores... Pentecostais ou fariseus... Puritanos ou liberalistas... Fanáticos ou negligentes. Sempre pendemos a um extremo, sempre nos rotulamos e rotulamos aos outros em um extremo, da forma que aparentam ser.

Deus criou um universo que funciona em plena harmonia. A perfeição de Deus é harmônica, está em equilíbrio e funciona de forma sistemática. Somos nós e nosso pecado que desregulamos tais organismos, somos nós que rompemos o equilíbrio.

Hoje, para mim, a grande questão como Cristão é combater os meus preconceitos, os meus bloqueios e os meus traumas e saber aceitar a Deus naquele que eu condeno, naquele que considero estar em um extremo completamente diferente do meu.

Tenho duas experiências de religiosidade completamente discrepantes. Metade do mês vou a minha igreja, a IASD Nova Semente. Outra metade, à igreja dos meus sogros, Unasp Campi 2.

São ambientes complemente diferentes. Tive que aprender a enxergar a Deus em realidades diferentes, e entender que o que Ele quer é levar o coração de cada um de nós, que está em um extremo, para o centro.

Deus quer equilíbrio, comunhão e religiosidade de todos nós. Sejamos o que formos, o que Ele deseja é que saibamos estar em harmonia e não pendendo às nossas conveniências.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Só não roube sua ex-mulher

Era uma tarde como outra qualquer, para um desempregado. Meu emprego se foi com a desculpa de sempre; a tal crise econômica, corte de custos, a necessidade de enxugar a folha de pagamento.

Normalmente, perder um emprego não é o fim do mundo. É apenas um saco. São mais preocupações, ansiedades, medos e angústias para colecionar. Até que se encontre um novo emprego para se estressar.

Porém, para alguém que não possuía vinculo empregatício formal – aquelas bobagens que a gente faz para tentar manter seu emprego em uma crise e lhe faz a presa mais fácil na seguinte – ser despedido é como naufragar sozinho no meio do triângulo das bermudas.

Não pensava que, de todos os meus credores, minha ex-mulher seria a mais voraz e cruel. Sem renda, sem seguro desemprego, sem seguro e sem poder pagar a pensão de meus dois filhos. Até a companhia telefônica seria mais compreensível, mas uma ex-esposa não teria piedade.

Tudo bem que a gente faz umas bobagens na vida. Não vou negar que o divórcio foi por minha culpa. Ela tem motivo para estar ressentida, mas não esperava que fosse vingativa.

Engraçado o dia que fui preso. Não fazia idéia do motivo, até que meus carrascos me contaram suas razões. Os arautos da justiça estão atrás do cruel caloteiro das pensões. Afinal, por que correr atrás de quem cometeu um brutal e sanguinolento assassinato, se os terríveis não pagadores de pensão estão a solta!? E eu pensava que o SPC seria meu maior problema…

Não sabia se me indignava ou ria. Era eu tão perigoso para me algemarem? Que risco eu apresentava à sociedade? Qual havia sido meu crime, ser demitido? Minha vontade era chutar o banco do passageiro da viatura. O que de pior poderia me acontecer? Já estava preso por um dos motivos mais ridículos, qual seria o problema de arranjar um de verdade?

Aquelas algemas me irritavam. Eu sempre vi na tevê aqueles bandidos sem rancor algemados. Só de ver alguém de algema eu pensava mal da pessoa. Antes disso, eu pensava que, se estava de algema, o cara estava errado.

Quando antes eu poderia imaginar que por essas bobagens colocariam algemas em cidadãos de bem? Eu sempre paguei meus impostos, nunca cometi crime nenhum. Está bem; ás vezes uma ou outra multa de trânsito, mas isso não é exatamente colocar a vida dos outros em risco, não é?

Ao adentrar a minha cela, senti-me como um cordeiro entregue aos leões. Eu era o almoço após sete dias de jejum.

Por sorte, na delegacia dificilmente eles colocam caras como eu com os homicidas. Claro, os homicidas que eles pegaram cometendo um homicídio. Mas ao meu lado, três rapazes, por volta de 19 anos, que alegavam ser apenas usuários de 900 gramas de cocaína. Porém, ao cair da noite, contavam todos os passos, pontos e lugares para se conseguir drogas. Eu, um pai, um cidadão que nunca havia colocado um cigarro na boca, já sabia como conseguir a droga que quisesse, pelo preço mais barato, com o irmão mais “firmeza”.

Foram três dias até que meu irmão conseguisse regularizar a situação. Se eu fosse patrão, tivesse advogado, tenho certeza, nem teria que dormir na cadeia. Mas a gente faz o que nesse Brasil? Não dá para fazer muito, mas uma coisa eu percebi. Você pode dar calote em qualquer um, desviar verbas públicas e, se for esperto, roubar. Mas não pague sua ex-mulher e… eu garanto; é fatal.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A dois passos do fim do Estado laico

Hoje nos deparamos com um dos acordos mais perversos, ideologicamente falando. Acertado pelo Vaticano e o Poder executivo do Brasil, a instituição de ensino religioso nas escolas públicas é um ataque a liberdade individual.

O acordo prevê que a disciplina fará parte do currículo base de formação.

É completamente compreensível que instituições confeccionais tenham em sua grade aulas de ensino religioso, por sua ligação direta e por terem como objetivo atender aos membros de uma instituição religiosa em especial. Aqueles que matriculam seus filhos em uma escola deste segmento sabem exatamente o conteúdo que será passado.

Neste molde, ou as aulas de ensino religioso não passaram de desperdício de horas aulas ou não passará de mera doutrinação religiosa da Igreja Católica Apostólica Romana.

O Brasil não possui religião oficial. O Estado brasileiro se define como laico. Ou seja, um Estado que permite e garante o livre pensamento e a liberdade religiosa. Adotar o ensino religioso seria privilegiar uma religião em especial, depreciando as demais religiões – sejam cristãs ou não –, e até mesmo os não religiosos, os ateus e agnósticos.

Se isto fosse uma disciplina extra-curricular, fora da grade de aulas, uma opção para o aluno que não o expusesse, seria uma iniciativa até válida. Mas da forma como está sendo feito, não passará de um golpe numa das maiores conquistas históricas deste país como nação.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Absurdo

Viajando pela região de Ribeirão Preto e Sertãozinho, indo em direção à Guabira - uma cidade "dormitório" - tudo que se via era um mar de cana-de-açucar e usinas.

Quando havia contrastes, eram imensas plantações de eucalipto.


Depois de lidar diretamente com a filha paranóica de dois lavradores - a guria em meio a um ataque de pânico - tivemos um dia de intrigantes experiências em Guariba. Cidade de 34 mil habitantes, dos quais em torno de 1.500 são trabalhadores braçais da lavoura de cana.

Agora, em Jaboticabal, estou em um dos melhores pulgueiros da cidade. Amanhã, Morro Agudo nos espera. E se Deus quiser, finalizamos nossa jornada.

E eu volto a escrever de verdade para todos aqueles que não lêem mais este blog.

Até não sei quando, mas tão logo!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Coisas de TGI na estrada...

A coisa mais irônica do dia de hoje foi a saída de um motel. Uma placa, mui inocente, proclamava: "É sempre um PRAZER lhe receber". Coisas de Piracicaba...


Cidade muito aprazível diga-se de passagem. =D

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Um grande engano

A vida é um grande engano. Somos dotados da esperança de um porvir confortável, agradável, onde poderemos degustar aquela felicidade utópica de um filme meloso de Hollywood. Buscamos a felicidade em cada esquina, de forma tímida, disfarçadamente involuntária. Esperamos que um(a) estranho(a) que dobre a esquina guarde a formula de nossa felicidade em seu sorriso, desejamos ardentemente que o segundo seguinte venha acompanhado de um êxtase constante e infindo, uma mentira inventada pela nossa necessidade presente de completar o abismo que impera no âmago.


O que falta é uma resposta e a nossa tendência é procurar a solução em outra incompletude. Buscamos algo que encaixe, desesperadamente esperamos que a resposta esteja em um ponto exato, tátil e visível de nossa vida. É a forma mais cômoda e fácil de encarar o assustador vazio, buscar a resposta no vazio de outrem.


Nosso desespero se constrói quando o conto de fadas que construímos se mostra como um castelo de areia frágil que se desfaz com a repentina mudança da maré. A mácula que nos tortura se faz evidente quando nos deparamos com a frustração de espelho. Somos tão defeituosos que a imperfeição é um fato assombroso.


Perdemo-nos em ilusões vãs quando a verdade é que nosso foco está errado. Queremos ignorar a incompletude, queremos fugir da verdade de qualquer forma, mas é inevitável, nossa carne não mente, nosso sangue carrega o vil veneno de ser errante. Nossa sina é seguir desesperadamente de lástima a falhas, torturando nosso peito com esperanças de alegrias falsas que apenas tomam o tempo e intercalam o momento que encaramos a realidade.


A vida é um grande engano, pois queremos ver tudo colorido, queremos cores alegres, queremos música e requinte. Porém a vida não passa de um ciclo eterno, um romper constante, a instabilidade visceral de alegria e tristeza.


Mas a vida não é preto e branco. A vida não passa de um grande engano. A vida é um emaranhado de tons de cinza. Tentando esvair-se da escuridão e atingir seu deslumbramento de pura luz.


Tenro engano. Enquanto nossa busca for incansável por um sorriso perdido, quando nosso dia não for alegre enquanto os pássaros não entrarem pela nossa janela e nos fazerem crer na vida em conto de fadas, a vida não passará de um narcótico.


Narcótico que perpetuará durante o tempo que pulsar no peito a imbecil insistência de beber a ilusão, alcoolizar-se na esperança de não ter que encarar o fato de ser você mesmo. Ninguém gosta de estar tão próximo dos defeitos quanto à pessoa que os comporta, é para ela que eles os são mais evidentes.


Mergulhados em nossa escandalosa podridão, buscamos na imagem de perfeição dos outros a solução para a corrompida estrutura de vida que somos. É uma pena que imaculada imagem construída em nosso âmago seja incapaz de preencher os espaços não-preenchidos de nossas almas disformes. Uma imagem não passa de uma imagem, um reflexo distorcido por uma água turva. Quanto mais próximos, mais claro o reflexo. E quanto mais claro, mais abominável.


Somos insuportáveis. Tão insuportáveis e entregamos aos outros o carma de nos suportar. Se tivermos que nos suportar sozinhos, enlouquecemos. Talvez por isso sejamos tão incompletos.


Meu objetivo não é ser trágico. Nem simplesmente apontar o óbvio de sermos meras personagens construídas que buscam verdades em meras interpretações teatrais de outros que são meramente tão iguais a nós. Meu sorriso de canto está em dizer que ao encarar a incompletude e aceitá-la está a liberdade. A verdade é que há buracos que não precisam ser preenchidos, lacunas são necessárias, para que o tempo demarque a vida sem que desesperadamente tentemos planificá-la, quando viveríamos em verdade se estivéssemos interessados apenas em viver a vida.


Mas preferimos degustar a vida em busca de respostas, significados, verdades, de perfeição; vivemos em busca de algo que pudéssemos admirar. Ledo ardil. A vida não passa de um engano, cheio de incertezas, máculas e inverdades. Nós somos fogo e palha, queimando em nossos atributos como forma de seduzir e destruir o dia de outro alguém.


A vida é um grande engano. E a verdade é que adoramos nos enganar todos os dias. Temos prazer em viver essa pequenas mentiras, gostamos da sensação de torcer para que ela dê certo, mas gostamos da segurança de que não seja eterno, de não estar acorrentado, ligado definitivamente a uma decisão de puro contorno de pueril emoção.


A emoção se vai com o movimento e se perder no tempo, com isso a verdade vem à tona e se desfaz todo o enredo. Perdeu a graça para um. É o trágico fim para outro. É o apego brincando com o desapego, nosso jogo de cenas, num ato final que se desdobra enquanto nossas verdades ainda forem as mais incorretas.


Nós adoramos mentiras. Ainda mais quando são, das mentiras, as mais sinceras.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Habemus Obama

Comoção generalizada. É o que todos os noticiários mostram após declararem que seu queridinho fora eleito presidente dos Estados Unidos.


O sentimento estampado nesta parcela da população que elegeu e se emocionou com Barack Obama me lembra muito a parcela que elegeu Lula. Ambos têm uma trajetória contextual muito parecida.


Ambos são populares. São líderes carismáticos, mais do que propostas, ambos carregam um simbolismo de mudanças. Mesmo que estas não sejam aplicadas, o eleitor enxerga nessas personagens históricas um ícone de transformação da realidade.

Ambos embarcam no poder após um período turbulento de seus antecessores. Lula pegou um governo FHC destroçado por crises internacionais e corrupção dos alicerces governamentais. O sentimento de frustração e insatisfação com o governo tucano possibilitou que o PT alçasse o poder. “A Esperança venceria o medo”. Principalmente o da Regina Duarte.

Obama convive com um governo Bush completamente destroçado. Guerra do Iraque, crise dos alimentos, subida do preço dos combustíveis, problemas ambientais e a crise imobiliária nos tempos de campanha. Tudo isso impulsionou o governo de George Jr. para o limbo.

Foram oito anos de medo nos Estados Unidos. O discurso antiterrorismo apavorava a população. E nestas eleições, os americanos pediram uma mudança.

Sinceramente, não acredito que essa mudança seja tão profunda. E creio que o mundo se decepcionará com Obama e os americanos poderão ter alguns de seus desejos satisfeitos. Porém, o discurso de Obama sobre mudar o mundo se restringe ao mundinho deles. Lembre-se que a Geografia deles, a capital do Brasil é Buenos Aires. Ele só sabem que Cuba é ali do lado. E duvido que isso vá mudar.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Um pouco do mundo da música

A lei nos seus fones

Uma juíza, provavelmente na TPM, encanou cum um fã de hip hop e o sentenciou a ouvir música clássica.

Não sei quem foi mais ofendido, o hip hop ou a música clássica.

O hip hop é uma manifestação cultural, apesar de toda mercantilização que sofreu. Ainda é uma forma de uma classe social ascender financeiramente e se expressar.

Pode não ter o mesmo rigor e elocubração harmônica que outros estilos, mas tem caracteristicas próprias que o tornam algo completamente particular.

Mas a música clássica também teria seu motivo para sentir-se ofendida. Ser colocada como sentença punitiva. Poxa, tudo bem que não é mais um estilo popular, mas colocar como algo torturante já é sacanagem, hein?

Chinese Democracy será lançado?

O maior KO dos últimos 14 anos - o tão prometido álbum do Guns, Chinese Democracy - tem lançamento marcado para o dia 23 de Novembro.

Tudo bem que a maior fábula da desconfigurada banda de Axel Rose um dia terá de ter seu fim, seja pelo fim definitivo do Guns ou pelo lançamento do álbum, mas é difícil acreditar que tal fim se dê agora.

Tanto que uma famoso marca de refrigerantes nos EUA prometeu dar uma unidade de seu produto grátis para cada Chinese Democracy caso o CD seja lançado ainda em 2008.

Ou seja, virou piada nacional.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Abraço

Tateava com os dedos cada frágil espaço de seu lápis amarelo. Amarelo corroído por seus momentos de nervosismo, sua sublime manifestação de ansiedade ao cravar os molares no frágil lápis. Mordia com força, mas apenas para fundar suas presas na vítima sem causá-la maior dano que a mera superficialidade de arrancar-lhe a derme amarela.

Eram cicatrizes das mais belas, seus dentes eram perfeitos, um acerto genético que seus pais não esperavam. Nenhuma cárie, nem a possibilidade de usar aparelho, nem arrancar o juízo fora preciso. Mas essa mania de torturar o lápis era seu provável pecado bucal.

Sem dar-se conta de seu potencial devastador. Mal sabia ela que entortava pescoços ao roçar o bendito lápis ao lábio, lábio que era mais que desejado, lábio que atiçava e cativava, atordoando o sonhador mais acordado.

Seus pés marcavam o ritmo de uma canção qualquer que ouvira na rádio e pensará ser do tempo de seu pai. Era tão retro, porém simultaneamente instigante. Era o passado rugindo a sua realidade com palavras de um morto instante mui distante. “E se a dor é de saudade, e a saudade é de matar, em meu peito a novidade vai enfim me libertar!”

A aula era muito chata. O tempo não passava. Sua impaciência balbuciava seu mais digno tique, enlaçava duas mechas de cabelo com o indicador, mecanicamente. Seu olhar era reto e profundo, sua testa ligeiramente franzida mostrava a ligeira tensão que tomava seus pensamentos. O olhar era gélido, fixado num ponto vazio que ela em si não via.

O tempo a tomava por lembranças perdidas de quem se fora há pouco tempo. A dor da saudade matava, a dor da saudade era de morte. Sucumbia entre as fotos daquele que não voltaria; aquele que a fizera e sem avisar, fora embora sem uma sincera despedida. Seu coração só a ferida sentida, o pulsar tornava a dor mais evidente. Estar vivo só torna a dor que sentia ainda mais latente.

Quantos sonhos sonhara em seu colo? Quão alto fora levantada por seus braços? Via-se agora sem seu mais firme logro, via-se sem seu paterno laço. Despencaria do alto? Capaz seria de se levantar? O pó que arde é o da queda ao rosto e não o dos pés por em caminho pueril der dados aos pés compasso.

Seu anseio era por um caloroso afago. Seus olhos denunciavam o coração me pedaços, por tão cabisbaixos. Mas a solidão arma, a solidão assusta e quem mais precisa do afago é aquele que a ajuda recusa.

Ao perceber a desolação, alguém lhe pergunta, tudo bem?

Tudo. E fim. A mentira sincera da educação, onde se pergunta aquilo que a resposta não se quer ouvir e se a resposta for a de quem não quer falar, o jogo de vida de maneira perfeita acontecera.
E engolira o trêmulo. Fingira nada haver, fingira quem fora pouco ser, fingira o sorriso mais falso, fingira que fingira. Era tal falsa que a alegria soava apatia.

A esperança era vaga. Precisava de um milagre, precisava de insistência, precisava de alguém que a sacudisse o dissesse que não estava bem, estava em cacos, a dor a acometia de lado a lado, seu rosto era a transfiguração de quem não suportava o próprio fardo. Precisava que dissessem o que ela e todos já sabiam, precisava ouvir as palavras de tudo aquilo que todos nós já imaginávamos, mas desejo de dizer por ser tão cômodo deixar alguém se atormentar com uma angustia que ali não deveria estar.

A novidade fora o abraço. Descompromissado, inesperado e devastador. Está tudo bem, isso vai passar. E as lágrimas dela vêm ao ouvir as palavras de alguém que ela nem imaginava que a queria bem.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

O nosso grande palhaço Bush

Fiquei muito feliz ao abrir a Folha de hoje e visualizar imediatamente o grande destaque que recebeu a conquista das medalhas de bronze de Ketleyn Quadros e Leandro Guilheiro.

Mas logo ao lado de uma foto da judoca estava a melhor piada do mês.

Em matéria que falava da recusa russa em aceitar a trégua proposta pelo G7, vem a brilhante frase do excelentíssimo nariz vermelho George W. Bush.

Folha de S. Paulo
Nosso querido faz-me-rir-mor, o campeão mundial em invasão injustificada resolveu bancar o santo e criticar a Rússia pela ação contra a Geórgia. A Rússia decidiu interferir no conflito com os separatistas da Ossétia do Sul, muitos moradores da região possuem cidadania russa.

Não estabelecendo juízo de valor algum neste post sobre a situação da Ossétia do Sul e sobre o mote russo de invasão, tão legítimo quanto um produto paraguaio, Bush me fez cair em gargalhadas.

Bush disse que a Rússia invadiu um estado soberano e ameaça um governo democraticamente eleito.

“uma ação destas é inaceitável no século XXI” termina o atual presidente dos Estados Unidos.

É hilário. Então, se uma maioria votou, uma situação de opressão é justificável? Então a liberdade é condicionada a vontade do maior grupo? Então, as condições do Estado de Direito são dependentes de estarem em acordo com o impulso de uma massa populacional?

Se for assim Bush, prepare-se, pois a China é a mais nova dona do mundo.

As minorias têm o direito de existência e ter a sua liberdade preservada é um meio de preservar a democracia. Mas não a democracia no sentido de uma maioria e sim a existência de pluralidade, diversidade, multiplicidade. É necessário preservar o direito de ser diferente, é preciso existir coexistência.

Infelizmente, para Bush só existe o sistema democrático americano e aqueles que não se classificam em sua noção de Estado Soberano, com um representante eleito por um sistema de pleito democrático – mesmo que fosse este responsável por terríveis massacres como o é Mikhail Saakashvili, presidente da Geórgia – torna o processo justo e a democracia real.

É necessário se repensar os critérios políticos que legitimam um governo e as condições de uma intervenção militar.

Aliás, não é contraditória essa Euro – Ásia? Une-se por blocos econômicos e com abertura de fronteiras, livre passagem de pessoas e comércio livre, mas ainda assim se vê recheada de grupos separatistas que tentam se separar daquilo que está sendo unificado e que os engloba.

Mundo louco em que vivemos!? O país mais poderoso do mundo com um presidente hipócrita/piadista e o continente mais influente com tato contraditório para lidar com uma questão que põe em prova sua coerência unificadora.

Os interesses permeiam o caráter.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Sonhos

Apenas para descontrair.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Leite Parmalat

Todas as verdades estão contaminadas. Todas as palavras estão perdidas em discursos vagos, direcionadas a corações imprecisos que se prendem a qualquer frase como naufrago se amarra a uma garrafa vazia de um bom falerno boiando ao seu dorso.


Nossas esperanças estão vendidas a velhos emergentes que enriqueceram com as falhas de ontem. Nossas crenças estão cerceadas por vontades mercadológicas, nossa alegria está condicionada a letras digitadas por um roteirista qualquer do outro hemisfério. Em qualquer prateleira se vê felicidade de plástico.


Nossos dias são sentados, muito bem acomodados, poltronas especialmente desenvolvidas, para aquela sua dor na segunda ou terceira vértebra, massagem para a tensão escondida de ter traído quem mais o ama, como se o amor não passasse de uma mera convenção mal estabelecida entre duas pessoas que se toparam e tiveram libido, por isto, condenadas estão a ter que aturar a outra existência, apenas para ter um maldito alívio.


De todas as nossas tolerâncias, o mesmo veneno ácido. Os dias se vão e se montam os próximos exatamente com o mesmo desenho flácido. O tempo voa e vai cada vez mais rápido, são pessoas correndo, em filas duplas, engarrafamentos praticamente estacionados.


E enquanto tudo isso se faz, as vacas nunca se cansam de ruminar o de que sobrou de ontem pasto.

Lembrete

Quando a grama do quintal do vizinho estiver coberta de merda, não se alegre. Em cima de planta, merda vira adubo.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Solidão

Apenas sente o vazio aquele que se encontra ao ermo. O meu desamparo não se encontra em mim. A solidão não é efeito do que fica, mas é fruto da ausência de quem vai.

O que demarca o espaço, a lacuna é um vácuo, um vazio. O objeto concreto, táctil, determinado vê sua definição como ser indefinido. Porém, esse indefinido tem seu nome.

Então os olhos fitam a ausência. O lugar vago se torna mais evidente, os rotos virados, meu corpo sem abraço, a lágrima que sozinha seca, o chão frio que me suporta. Sempre há algo me pressionando contra o chão. Mas sem você o ar tem mais peso, o ar fica mais denso.

Quando perco o juízo, perco porque na sua ausência nenhum dos azulejos possuiu a mesma cara, eu descubro como odeio todos os quadros pendurados na parede da sala e que todos os programas de comédia são sem-graça.

Alguns dizem que a solidão faz crescer. Outros que estar sozinho lhe faz ver com mais clareza quem se é. Bem, na minha solidão eu enxerguei, mas não a mim, mas a você. O espaço onde estaria você, o espaço que ocupam seus pés, vi que no quebra-cabeça da minha vida seu sorriso se encaixa com todas as outras peças. Vi as lacunas que ficaram na sua ausência.

O que descobri com a sua inevitável ausência que em minha alma a vida é inviável sem a sua presença.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Adeus a ele

Meu avô materno não fez parte efetiva de minha vida. O vi em poucas oportunidades da minha vida, se comparado a outros parentes. As construções que tenho dele são de um homem controlador, rígido, forte, seco.

Foi um homem que construiu sua vida, suas poses. Errou muito, principalmente com minha avó, e até o fim de sua vida nutriu um ódio injustificável por ela.

Casou-se com uma prima, que cariosamente também chamo de avó, pelo exemplo de pessoa que era. Uma intelectual, sem dúvida, uma mulher de sucesso.

Minha avó, a odiada, pode não ter sido um sucesso acadêmico, tampouco científico, mas é uma das pessoas mais doces que há no mundo. E toda mágoa que meu avô causou a ela e seus filhos é intolerável.

No leito de morte meu avô deu o braço a torcer, recebeu e voltou a falar com minha mãe. Ao bater à porta a morte nos chama a lucidez ou ao desespero, não sei.

Infelizmente, não pude estar em seus últimos momentos, fazer parte de sua ida. Ele também não fez parte do meu início. Não que isso seja algum tipo de vingança ou justificativa, pelo contrário, muito sinto por estar longe de parte da minha família num momento pontual de sua configuração existencial, a morte do patriarca.

É duro ter que se limitar a distância e encarar ter a relevância de mero mapa genético, não fazer parte do dia-a-dia daqueles que de meio sangue meu tem a mesma origem.
Ele já foi sepultado. Não vi sua luta. Não vi seu agonizar. Não vi seu corpo sem vida. Não vi as lágrimas. Não pude dar abraços. Não recebi abraços. Sofri escondido, calado, depois de saber que morreu, muito depois do corpo já ter sido sepultado. Ele se foi e, quando eu soube, sofrer já era démodé.

Não poderia chorar aos outros prantos, já secaram as lágrimas do sepulcro, agora elas escondidas estão no fim dos dias de cada um que dele guardam boas ou más lembranças, que o odiavam tanto que chegavam a lhe amar e aqueles que o amavam porque simplesmente o haveriam de amar.

Levantar o peso nas costas de que estar longe é estar sozinho não é fácil. Não queremos acreditar, mas estar longe nos impede de fazer parte, não impede de sentir, não impede de nutrir um laço. Mas é um laço largado, distante, até que cheguemos perto, o cutuquemos. Se a gente deixa o laço largado, ele fica lá, até que o tempo o consuma e o que outrora havia se desfaça como pó que tudo há de voltar. Pó que volta agora meu avô.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Maré de azar

Às vezes a gente descobre que nossos desesperos não passam de uma paranóia boba. Aquele suor frio, o medo que cortava a espinha do oriente ao ocidente, o ar seco que rachava os lábios em um dia frio.

Nós temos sonhos, aspirações, desejos. E, por algum motivo que desconheço, gostamos de acreditar que irão se concretizar. Você vai casar com a pessoa que ama, terão filhos, uma boa casa, um bom trabalho, viajará pelo mundo, conhecerá gente, será famoso, terá aquele carro esportivo, uma casa na praia ou às vezes você só quer tocar os lábios daquela garota com quem nunca teve coragem de falar e que não sabe da sua existência.

Mas desse sonho perfeito, que acreditamos estar predestinados e que logo dará certo, logo se fica no plano dos sonhos. Você não consegue se satisfazer. Sente ciúmes, raiva, medo, angustia, solidão, traído, largado, usado, errado, perdido, isolado, esquecido, rejeitado, ferido. E na maior parte das vezes você não tem razão. São sentimentos, a última coisa de que derivam é a razão.

Então, quando não bastava a sua esquizofrenia, vem a realidade e o faz crer que toda a sua paranóia é real. Você leva a primeira rasteira da vida e crê ser uma seqüência. A sua insegurança, que já era incrivelmente perspicaz, se torna homérica. Você começa a destruir sozinho a tudo aquilo que tinha e não perderia por um simples e mero abalo qualquer. Ninguém mandou ser humano.

Dessa humanidade devassa que corre em suas veias, por alguma sacanagem do destino, vem também a solução dos seus problemas. Passa uma noite, duas ou dez, e você esquece do passado intempestivo.